Médico forense revela que Maradona sofreu agonia por cerca de 12 horas antes do falecimento
A extensão da agonia representa um dos temas principais na controvérsia do processo judicial destinado a investigar as obrigações da equipa de saúde que assistia Maradona durante o mês que antecedeu o seu óbito em 2020.
"Qual a duração da agonia? Não consigo indicar com precisão. Calculamos aproximadamente 12 horas de sofrimento", declarou Carlos Casinelli, um dos especialistas que efetuou a necrópsia ao lendário número 10.
No corpo de Maradona identificaram se "derrame pleural bilateral, anasarca, 350 cm3 de urina na bexiga, necrose tubular aguda, todos indícios de hipóxia. Estes elementos apontam para um sofrimento demorado, não repentino", esclareceu Casinelli.
Na terça feira, outro profissional envolvido na necrópsia, Federico Corasaniti, mencionou igualmente que os vestígios no coração de Maradona indicavam "um período prolongado de agonia".
Para a acusação, este intervalo de sofrimento implica que certos médicos ou enfermeiros implicados descuidaram o antigo jogador, agravando o resultado letal. As defesas questionam a extensão desse período e todas declaram ausência de culpa.
O depoimento de Casinelli incluiu imagens e gravações da necrópsia do ícone, o que provocou a saída da sala de uma das filhas de Maradona, Gianinna.
Durante a sua intervenção, Casinelli sublinhou o volume de edemas no organismo de Maradona, assunto reiterado por diversos peritos que testemunharam.
"O habitual é não existir acumulação de líquido, mas ele apresentava três litros no abdómen. E tal não surge em um ou dois dias, trata se de mais de uma semana, cerca de 10 dias", referiu.
Maradona faleceu por edema pulmonar e paragem cardiorrespiratória aos 60 anos, a 25 de novembro de 2020, no período de recuperação de uma neurocirurgia sem complicações.
Sete elementos da área da saúde defrontam se a um julgamento por homicídio com dolo eventual, conceito que pressupõe awareness de que as suas condutas poderiam resultar em óbito. Enfrentam risco de 25 anos de reclusão.
Uma oitava implicada será processada de forma isolada em julgamento com jurado.
Trata se da segunda tentativa da justiça em elucidar as condições do falecimento de Maradona, após a anulação do primeiro processo em 2025, devido à descoberta de que uma das juízas colaborava num documentário não autorizado sobre o assunto.