Martínez admite "raiva" para quebrar "ruído": "É fácil apoiar quando ganhamos a Liga das Nações"
Acompanhe aqui as incidências e o relato do encontro
Leia também - João Cancelo pede tréguas às críticas e garante resposta: "Margem de erro acabou"
Balneário criticado e titularidade de Ronaldo: "Faz parte do nosso processo que chegar ao Mundial são três jogos, preparar bem, analisar e ser muito autocríticos. Foi isso que fizemos depois do jogo, vimos o que fizemos bem, o que não executamos, porque é que não chegamos ao último terço com a posse e a qualidade que temos. Limpar o sentimento de raiva e tristeza porque não atingimos o resultado que queríamos, mas o foco no balneário é total.
O trabalho foi muito, muito bom e agora precisamos de melhorar tudo que não fizemos no primeiro jogo. Não há uma equipa que chegue cá preparada para atingir os objetivos, precisamos de crescer nos momentos difíceis, tivemos esse momento, a reação fortaleceu o grupo que está mais unido. A atitude do grupo foi exemplar. Quanto à titularidade, não posso falar publicamente porque não falei com os jogadores".
Leia também - 10 jogos sem marcar em fases finais: o que contam os números de Ronaldo?
Foco defensivo do Uzbequistão vai levar a mudanças táticas: "Fizemos uns 20 minutos muito bons no primeiro jogo, é importante perceber o que aconteceu nos 25 minutos até ao intervalo que foram muito maus ao nível de disciplina de posições. Faltou-nos estrutura e disciplina, melhorámos na segunda parte, mas o adversário ganhou muita vida e o jogo foi o que foi. Uma estreia do Mundial com aspeto emotivo.
O Uzbequistão é uma equipa diferente, com uma estrutura defensiva muito boa, um treinador experiente em Mundiais, mas é um jogo diferente. Precisamos de perceber o que temos de fazer com bola, onde podemos criar vantagens táticas, mas estamos a falar de uma equipa de Portugal que tem os melhores resultados de sempre a nível de golos, de chegadas ao último terço e ao nível de posse nos últimos 40 jogos. Não é um aspeto fraco da nossa equipa. Há muitos aspetos emotivos que fazem parte e que não correram como queríamos, que era marcar o segundo golo".
Leia também - Análise: Quatro nomes que espreitam o onze de Portugal
Colocar extremos interiores como Félix e Trincão ou com Bernardo Silva: "Nós já tivemos muitos perfis, percebo a pergunta, mas jogámos com alas de pé trocado - Francisco Conceição e Pedro Neto na esquerda, Rafael Leão na esquerda, o Bruno Fernandes, o Félix, o Trincão... -, isso não é uma questão. A riqueza e o ponto forte da seleção é termos essas opções, temos é de escolher bem consoante ao momento do jogo e dos jogadores, as ligações que procuramos e o adversário. A nível de jogadores temos todos aptos, menos o Tomás Araújo que treinou condicionado e individualmente, mas depois do jogo estou positivo que pode voltar ao grupo. Todos estão preparados para ajudar, seja no 11 inicial ou durante o jogo. Foi isso que fizemos nos últimos 3 anos e meio, procurar soluções diferentes e flexibilidade tática que permita utilizar esses perfis".
Impacto de Rúben Dias perante uma equipa defensiva: "Não esperamos isso do jogo. Estamos a contar com um jogo difícil, competitivo, porque o Uzbequistão já fez isso contra a Colômbia. Estamos num torneio, isto não é um estágio para um jogo. Temos 27 jogadores focados para melhorar a equipa, vi uma atitude incrível nos últimos dias e todos os jogadores são importantes. O Rúben foi importante mesmo sem jogar, é um dos capitães que ajudam durante os momentos difíceis. O grupo teve raiva e todos os jogadores ajudaram muito para chegar ao nível que queremos o mais rápido possível. Depois do jogo com a Colômbia é tempo de olhar para trás e ver onde estamos. Mas antes disso é preciso respeitar o adversário, se estivermos à espera que amanhã vamos entrar e ganhar, estamos no torneio errado".
Críticas ao grupo e ambiente tenso no estágio: "Desde o primeiro dia em Portugal não tive um jogo sem barulho, seja contra o selecionador ou contra o que seja. Já mostrámos que somos uma equipa experiente, focada e responsável. Estamos num Mundial, há muito barulho, faz parte. Para nós, o aspeto do ser humano que joga futebol é importante para perceber de quem está com e quem está contra a seleção. O foco no balneário é mostrar atitude e ter tudo aquilo que um jogador precisa: ter autocrítica para melhorar e estar preparado. É isso que vejo no balneário, estamos focados, fortes e agora o grupo está mais unido do que antes de ter chegado ao Mundial. São 22 dias de trabalho, o ruído não entra no balneário".
Críticas apontadas a Ronaldo e reação: "É um exemplo e reage como um capitão. Tem muita experiência que todos podemos utilizar, é o seu sexto Mundial, é alguém que está a representar a seleção há 21 épocas. Tem uma fome incrível de melhorar e ajudar o grupo, é um exemplo".
Boas exibições contra França e Alemanha e más exibições com RD Congo e Nigéria: "O importante é ser consistente. Há bons desempenhos, há outros que não são tão bons. Estamos a falar de uma equipa que nos últimos 40 jogos tem a maior percentagem de pontos e golos na história da seleção. Os jogadores merecem respeito, mas o futebol é assim, é impossível jogar sempre bem. É importante que, quando o desempenho não é bom, não perder a competitividade dentro do balneário e com a responsabilidade. Os jogadores prepararam o jogo de amanhã muito bem e é a partir daqui que podemos crescer muito.
Há a ideia errada do campeão que ganha os dois primeiros jogos 3-0. O campeão do último Mundial perdeu o primeiro jogo e ganhou a final, em 2010 a Espanha perdeu contra a Suíça no primeiro jogo, teve desempate por grandes penalidades e um momento de magia do guarda-redes. O futebol e os resultados são detalhes e pormenores, a equipa tem de estar preparada e unida para ganhar nesses detalhes. Depois do primeiro jogo, a equipa está mais forte psicologicamente para ganhar.
O Uzbequistão é uma equipa que conhecemos bem, tivemos jogos contra equipas semelhantes na fase de apuramento, então respeitamos muito o adversário. Espero que possamos ter o desempenho dos primeiros 20 minutos contra a RD Congo durante os 90 minutos".
O ruído de fora é injusto?: "Não se pode responder de forma geral ao ruído porque ele existe sempre, seja bom ou mau. Não espero rosas depois de empatar o primeiro jogo num Mundial, mas há muito barulho que não é justo, não é certo e que não fazem sentido. Mas isso não faz parte do nosso trabalho e do dia-a-dia, mas é importante nesses momentos difíceis, quando realmente nascem as equipas campeãs, saber quem está com a seleção e quem não está. Porque é muito fácil apoiar quando a equipa ganha a Liga das Nações. O importante é estarmos juntos nos momentos difíceis".
Jogadores querem responder às críticas neste jogo: "Já falei do tesouro que nós temos, quem acompanha a seleção portuguesa sabe que os nossos jogadores são incríveis, não só a nível de talento, mas a nível de compromisso. Querem ganhar ao Uzbequistão é o nosso objetivo, não pelo que aconteceu nos últimos dias, mas porque os jogadores adoram vestir a camisola e pelo trabalho feito nos últimos anos. Chegamos ao Mundial com objetivos claros, que se mantêm, e com clareza de que o processo seria de muita exigência. Já vimos que não há jogos fáceis. Nos últimos dias crescemos muito".
Se houver mudanças é devido o que aconteceu com a RD Congo ou com as características do Uzbequistão: "Os primeiros 20 minutos desse jogo foram muito bons, os 25 minutos seguintes foram muito maus com os mesmos jogadores, no mesmo estádio, contra o mesmo adversário. Há aspetos que temos de melhorar, mas dentro do contexto da equipa que estava em campo. Gostei muito da atitude e do esforço dos jogadores que entraram para fazer a diferença. Temos de preparar os jogos em relação ao adversário e do momento dos jogadores. Não é uma reação emotiva ao primeiro jogo, mas uma mudança racional que ajude a equipa a estar mais perto dos objetivos que procuramos".