Lise Klaveness, líder da Federação Norueguesa de Futebol, apela à FIFA para eliminar o prémio da paz
Sob a direção de Gianni Infantino, a entidade que governa o futebol global enfrentou duras críticas ao conceder o seu primeiro prémio da paz ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em dezembro, durante o sorteio do Mundial de 2026.
Muitos interpretaram o prémio da paz da FIFA como uma espécie de consolo para Trump, que repetidamente afirmou merecer o Prémio Nobel da Paz, e cujo país será um dos anfitriões do Campeonato do Mundo deste ano, ao lado do Canadá e do México.
"Nós na NFF desejamos que este prémio da paz da FIFA seja eliminado. Acreditamos que não se enquadra nas responsabilidades da FIFA atribuir algo assim, pois já existe o Instituto Nobel que realiza essa tarefa de modo independente", declarou Klaveness numa conferência de imprensa virtual.
"Acreditamos ser essencial que as federações de futebol, as confederações e a própria FIFA evitem cenários que coloquem em risco essa separação em relação a líderes políticos, e prémios como este tendem a ser altamente políticos se não houver mecanismos adequados e expertise para os gerir de forma independente, com júris e critérios claros, entre outros".
"Trata-se de uma atividade contínua, extremamente delicada, e do ponto de vista dos recursos, do âmbito de ação, mas principalmente no que toca à governação, creio que deve ser evitado daqui em diante", acrescentou ela.
A jurista de 45 anos mencionou que a direção da NFF planeia enviar uma carta de apoio aos pedidos de investigação sobre a concessão do prémio, promovida pela organização sem fins lucrativos FairSquare, que acusa Infantino e a FIFA de possivelmente terem infringido as suas próprias regras éticas quanto à neutralidade política na seleção dos premiados.
"É preciso haver mecanismos de controlo e equilíbrio em assuntos destes, e esta denúncia da FairSquare deve ser processada com total transparência, com o raciocínio e os resultados a serem claros para todos", concluiu Klaveness.