Liga dos Campeões: Clubes ingleses aprendem lição brutal

Liga dos Campeões: Clubes ingleses aprendem lição brutal

Só o Arsenal, que lidera a Premier League, e o Liverpool, o clube inglês com o historial mais rico no contexto europeu, conseguiram avançar para os quartos de final.

Mal o Manchester City, o Chelsea, o Newcastle United e o Tottenham Hotspur foram afastados da competição. No entanto, será que estes resultados justificam questionar verdadeiramente a qualidade da Premier League?

A Premier League destaca se como a liga mais abastada da Europa, graças aos elevados proveitos provenientes dos direitos de transmissão tanto nacionais como internacionais, que ultrapassam os de todas as outras. Um estudo recente da UEFA, publicado no mês passado, indicou que os ganhos televisivos dos emblemas ingleses da divisão principal cresceram em 1,5 mil milhões de euros entre 2014 e 2024, um montante que praticamente iguala o total registado por todo o resto do continente.

Das 30 equipas mais ricas listadas na última edição da Football Money League, elaborada pela consultora Deloitte, 15 pertencem à Inglaterra.

Contudo, três das quatro formações inglesas que saíram esta semana nos oitavos de final foram derrotadas por adversários com orçamentos superiores. A única exceção foi o Tottenham, embora o emblema atravesse uma temporada desastrosa, pelo que a derrota por 7-5 no conjunto face ao Atlético de Madrid não surpreendeu ninguém.

O Manchester City, vencedor em 2023, foi eliminado com um resultado global de 5-1 pelo Real Madrid, o emblema com o maior número de troféus na Taça dos Campeões Europeus, com 15 conquistas, e o único a ultrapassar os mil milhões de euros em receitas na mais recente análise da Deloitte.

O Chelsea sofreu uma goleada de 8-2 no agregado contra o Paris Saint-Germain, o detentor do título actual, ao passo que o Newcastle foi vencido por 8-3 pelo Barcelona.

Desde 1955, apenas em três momentos uma equipa inglesa absorveu pelo menos oito golos numa eliminatória europeia, e dois desses casos ocorreram esta semana.

A capacidade de Inglaterra em termos de variedade é inigualável, como se evidencia pela participação recorde de seis emblemas nos oitavos de final.

Maiores receitas, melhores jogadores?

No entanto, este patamar de elite pertence também a um restrito conjunto de gigantes continentais, que possivelmente não enfrentam a mesma intensidade de rivalidade nas suas ligas domésticas.

Os quatro clubes europeus com maiores receitas no ano transacto foram o Real Madrid, o Barcelona, o Bayern de Munique e o PSG, que geram mais recursos do que qualquer formação inglesa e desfrutam de vantagens financeiras substanciais em comparação com os concorrentes nacionais.

Nos últimos 21 campeonatos espanhóis, 19 foram atribuídos ao Real Madrid ou ao Barcelona. No mesmo lapso temporal, esta dupla somou 10 vitórias na Liga dos Campeões.

O PSG, detido pelo Catar, assegurou 11 dos 13 títulos franceses mais recentes e alcançou a sua primeira Liga dos Campeões no ano passado, após uma final e duas meias finais nas cinco épocas precedentes.

O Bayern, que derrotou a Atalanta por 10-2 no total esta semana, prepara se para o 13.º título da Bundesliga em 14 anos. Para além disso, o clube de Munique costuma chegar aos quartos de final da Liga dos Campeões e agora defronta o Real num embate de grande expectativa.

Apesar do fascínio da Premier League, poucos duelos rivalizam com este em atratividade.

"Esses dois emblemas são colossos", afirmou o treinador do Bayern, Vincent Kompany.

O Bayern beneficiou de uma política de recrutar uma figura proeminente da Premier League em cada uma das últimas três épocas: Harry Kane, Michael Olise e Luis Diaz.

O estatuto de Kane como o principal talento inglês é posto em causa apenas por Jude Bellingham, com quem se reuniu no Real Madrid no ano passado, Trent Alexander-Arnold, adquirido ao Liverpool.

O PSG possui o galardoado com a Bola de Ouro, Ousmane Dembele, e conta com Khvicha Kvaratskhelia, um elemento que inquietou as defesas inglesas ao longo do último ano.

"Na Premier League, não dispomos de Dembélé, Desiré Doué, Bradley Barcola e Kvaratskhelia", declarou o treinador do Chelsea, Liam Rosenior: "Trata se de uma formação excecional.

O conjunto é igualmente jovem, assim como o Barcelona, que continua a depender amplamente da sua academia, La Masia, com uma idade média de apenas 25 anos face ao Newcastle, e em Lamine Yamal, de 18 anos, detém a promessa mais brilhante do futebol global.

"La Masia realizou um trabalho notável", comentou o treinador do Barça, Hansi Flick.

Estes emblemas parecem mais preparados para impor se na Europa, enquanto o Liverpool e o Arsenal representam a Inglaterra, que contribuiu com apenas três dos 13 campeões continentais recentes. Ainda assim, a Premier League marcará forte presença na próxima edição, com perspectivas de cinco vagas directas via campeonato e possivelmente uma sexta caso o Aston Villa ou o Nottingham Forest triunfem na Liga Europa.