Líder da federação iraniana questiona presença do Irão no Mundial
O líder da Federação de Futebol do Irão, Mehdi Taj, repetiu as reservas quanto à presença do país no Mundial de 2026, a realizar nos Estados Unidos, no México e no Canadá, após a concessão de asilo pela Austrália a cinco jogadoras da equipa feminina nacional.
"O presidente norte-americano publicou dois tweets a solicitar asilo político para as nossas jogadoras (...), ameaçando que, se a Austrália não o fizesse, ele o faria. Ele provocou a morte de 160 mártires ao atingir as nossas crianças em Minab e agora rapta as nossas raparigas. Como podemos manter otimismo nestas circunstâncias face ao Mundial nos Estados Unidos?", afirmou Taj na televisão oficial, aludindo a um alegado ataque a uma escola em Minab no início do conflito, cuja culpa o Irão atribui a Israel e aos Estados Unidos.
"Se o torneio decorrer nestas condições, quem de bom senso enviaria a sua seleção para um local desses?", complementou o responsável.
O Irão tem dois dos três jogos da fase de grupos marcados em Los Angeles, frente à Bélgica e à Nova Zelândia, e um em Seattle, contra o Egito.
A Austrália deu asilo a cinco jogadoras da seleção iraniana feminina, chamadas de "traidoras" pelo regime de Teerã por se recusarem a entoar o hino nacional antes de um jogo da Taça da Ásia, que se realiza no país oceânico, em pleno conflito no Médio Oriente desde o arranque da intervenção de Israel e Estados Unidos no Irão a 28 de fevereiro.
Essa medida baseou-se no perigo de as atletas enfrentarem perseguição ao regressarem, revelou esta terça-feira o ministro do Interior australiano, Tony Burke.
As jogadoras mantiveram-se em silêncio durante o hino iraniano antes do jogo de estreia contra a Coreia do Sul, dois dias após o início da guerra. Nos dois jogos seguintes, cantaram o hino.
Esse comportamento foi visto como gesto de desobediência, e um comentador da televisão estatal qualificou as jogadoras de "traidoras em tempo de guerra".
Várias vozes apelaram à Austrália para proteger as iranianas, incluindo o presidente norte-americano, Donald Trump.
"Já tomam conta de cinco delas, e as outras seguirão o mesmo destino. Algumas, todavia, acham que devem voltar [ao Irão] por receio pela segurança das suas famílias", declarou Trump na segunda-feira, após falar com o primeiro-ministro australiano.
Na semana anterior, o líder da Federação de Futebol do Irão já havia expressado incertezas sobre a participação do país no Mundial, de 11 de junho a 19 de julho.