Jornada do Torneio Apertura Argentino Adiada em Protesto Contra Acusação à AFA
A nona jornada do torneio Apertura na Argentina foi adiada esta segunda-feira (23) por solicitação dos clubes em sinal de apoio à Associação de Futebol Argentino (AFA), que enfrenta uma acusação de evasão fiscal e cujo presidente Claudio 'Chiqui' Tapia foi chamado a prestar declarações.
Durante uma reunião do Comité Executivo da liga argentina os representantes dos clubes pediram por consenso o adiamento dos jogos do campeonato nacional agendados entre quinta-feira 5 de março e domingo 8 de março conforme anunciou a AFA num comunicado.
A decisão surge "em repúdio à acusação formulada pela ARCA (entidade oficial de cobrança de impostos) contra a Associação de Futebol Argentino" indica o comunicado emitido pela federação máxima do futebol argentino.
O pedido recebeu aprovação e a jornada foi suspensa afirmou à AFP uma fonte ligada ao processo.
Ainda assim as sétima e oitava jornadas do torneio Apertura prosseguirão até 5 de março.
A AFA o seu presidente e mais quatro responsáveis estão sob investigação num caso que examina se a influente organização futebolística reteve de forma irregular e não depositou cerca de 19 mil milhões de pesos (aproximadamente 67 milhões de reais à taxa atual) em impostos e contribuições para a segurança social entre março de 2024 e setembro de 2025.
A nona jornada coincidia com a intimação
A nona jornada estava marcada para iniciar precisamente no dia em que Tapia terá de se apresentar nos tribunais neste processo. O tesoureiro da AFA e outros três directores também estão obrigados a comparecer para depoimentos.
Devido a essa intimação na semana anterior um juiz tinha impedido Tapia de sair do país mas esta segunda-feira o mesmo juiz permitiu que viajasse à Colômbia e ao Brasil mediante o pagamento de uma caução de cinco milhões de pesos (18.9 mil reais).
Tapia tinha pedido autorização para viajar para um evento da Federação Colombiana de Futebol em Barranquilla e depois para uma reunião do conselho da Conmebol no Rio de Janeiro entre 23 e 28 de fevereiro.
Com a decisão judicial desta segunda-feira espera-se que Tapia assista à Finalíssima entre Argentina e Espanha que se realiza no Qatar a 27 de março.
"Ataque concertado"
A AFA desmentiu na passada sexta-feira ter "qualquer dívida em atraso relacionada com as obrigações fiscais mencionadas como fundamento para a acusação da ARCA".
"A ARCA pretende tratar essas obrigações que ainda não venceram e que nem sequer pode reclamar como base para um possível crime fiscal o que vai contra as normas jurídicas em vigor" acrescenta a federação.
Para além deste caso a AFA enfrenta ainda uma investigação por suspeita de branqueamento de capitais. A organização foi alvo de uma operação de buscas em dezembro para recolha de documentos sobre transacções suspeitas com uma instituição financeira privada.
A associação atribui as medidas judiciais a um "ataque concertado" do governo do presidente argentino Javier Milei.
A AFA afirma que os processos contra si são uma reacção à pressão para transformar os clubes em sociedades anónimas desportivas semelhantes às SAFs no Brasil um modelo defendido por Milei mas amplamente recusado pelo futebol argentino.