"Jogar contra o Brasil é como enfrentar nosso pai": haitianos se declaram à Seleção

"Jogar contra o Brasil é como enfrentar nosso pai": haitianos se declaram à Seleção

Para muitos haitianos, enfrentar a Seleção Brasileira significa encarar o país que inspirou gerações, formou ídolos inesquecíveis e construiu um vínculo afetivo que atravessa décadas.

Confira a tabela da Copa do Mundo no Flashscore 

Essa profunda ligação ficou evidente na fala do torcedor haitiano Givenchy Cerisier, residente na Filadélfia.

Ao demonstrar toda a sua devoção ao futebol brasileiro, ele declarou: "Jogar contra o Brasil é como enfrentar o nosso pai ou a nossa mãe. Isso porque, para nós, nós somos Brasil. Mesmo que o Haiti perca hoje, ainda estaremos felizes, porque também somos Brasil".

"Se o Brasil não estivesse jogando contra o Haiti hoje, nós estaríamos torcendo por eles de qualquer forma", reforçou Givenchy.

Ao seu lado, Mony Hydolpheson Joseph não hesita em apontar quem é o maior jogador de todos os tempos: "Pelé, sem dúvidas". Ele ainda trouxe para o debate sua admiração pelo Santos, a quem chama de "o maior clube brasileiro".

Hoje, no entanto, o coração se divide. A torcida é pelo Haiti, afinal, é a seleção nacional que está em campo. Mas a rivalidade termina assim que o árbitro apita o fim da partida.

"Quando eu era criança, eu era um grande torcedor do Brasil. E agora, ter a oportunidade de vê-los jogar contra nós em uma Copa do Mundo é a realização de um sonho", contou o haitiano Frantz Monestime, em entrevista ao Flashscore.

"Este é um sentimento difícil de explicar, essa relação tão próxima que temos com o Brasil. Somente um haitiano pode entender isso", prosseguiu o torcedor, concluindo: "O Brasil geralmente era meu primeiro time; hoje é o segundo, porque tenho que representar meu país. Mas, depois daqui, voltarei a ser Brasil".

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O Jogo da Paz

Essa conexão entre brasileiros e haitianos não nasceu apenas dentro das quatro linhas; ela também foi construída por acontecimentos históricos que aproximaram os dois povos.

Em 2004, durante a missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, liderada pelo Brasil, a Seleção Brasileira desembarcou em Porto Príncipe para disputar o histórico "Jogo da Paz".

Em meio a um período de intensa instabilidade política e violência, a presença dos pentacampeões mundiais representou muito mais do que uma partida de futebol. O evento tornou-se um símbolo de esperança para milhares de haitianos e permanece vivo na memória do país até hoje.

Imigração e paixão inabalável

Ao longo dos anos, essa proximidade ganhou novos capítulos por meio da imigração. O Brasil passou a receber um grande fluxo de haitianos, especialmente após o terremoto de 2010, formando uma das maiores comunidades estrangeiras residentes no país. Essa convivência fortaleceu ainda mais os laços culturais e humanos entre as duas nações.

Por isso, o encontro nesta Copa do Mundo carrega um significado tão especial. De um lado, a camisa mais vitoriosa da história do futebol. Do outro, um povo que aprendeu a admirar essa mesma camisa como parte da própria história.

Durante 90 minutos, cada torcedor haitiano fará sua escolha e apoiará sua pátria. Mas, ao final do jogo, independentemente do placar, prevalecerá o sentimento compartilhado por todos eles: o respeito, o carinho e a admiração por um Brasil que, para diferentes gerações no Haiti, sempre foi muito mais do que apenas um adversário. Foi, e continuará sendo, uma extensão de sua própria paixão pelo futebol.

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