Futebol domina as apostas desportivas com perto de 80 por cento das receitas

Futebol domina as apostas desportivas com perto de 80 por cento das receitas

Desde 2015, os valores totais da parte do Imposto Especial de Jogo Online (IEJO) atribuída ao desporto somam 521,73 milhões de euros, sendo que 408,9 milhões de euros foram canalizados para as organizações que representam as modalidades mais populares nas apostas em Portugal, ou seja, o futebol.

Esta predominância do futebol fica evidente na forma como estes montantes do Imposto Especial de Jogo Online (IEJO) são divididos, seguindo uma ordem em que costuma ser seguido pelo ténis, pelo basquetebol e pelos desportos de inverno.

Ao longo de 11 anos, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) acumulou 302,54 milhões de euros e a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) 106,38 milhões de euros, ao passo que as demais organizações, incluindo outras federações, o Comité Olímpico de Portugal (COP), que viu as verbas dos Jogos Olímpicos Paris-2024 cair de 560 mil euros para nada, e a Federação Académica do Desporto Universitário (FADU), que aumentou de 78 mil para 165 mil euros, tudo dependendo do número de apostas em eventos internacionais relacionados com as suas atividades.

Dos 112,8 milhões de euros alocados fora do futebol desde 2015, mais de metade foi para a Federação Portuguesa de Ténis (57,4 milhões de euros) e quase um terço para a Federação Portuguesa de Basquetebol (36,5 milhões de euros).

A Federação Portuguesa de Desportos de Inverno (FDI-Portugal) obteve também uma porção significativa destes fundos, com 7,36 milhões de euros desde 2015, deixando assim 11,5 milhões de euros para as restantes federações ao longo de 11 anos.

No ano transacto, o montante total das apostas desceu de 76,18 milhões de euros para 73,52 milhões de euros, com uma redução similar nas verbas do basquetebol (4,65 milhões de euros contra 5,16 milhões de euros no ano anterior) e na FDI-Portugal (870 mil euros, 167 mil euros a menos do que em 2023), enquanto o ténis se manteve perto dos 11 milhões de euros.

As receitas do voleibol, em torno de meio milhão de euros, e do andebol, próximas dos 350 mil euros, também se mantiveram estáveis, com o padel a aparecer pela primeira vez (559 euros), numa relação que inclui quantias muito baixas para o atletismo (678 euros), golfe (682 euros) e hóquei em campo (142 euros), inferiores a desportos tão importantes e apreciados como o ciclismo (11 mil euros) e a natação (2.153 euros).

O Orçamento do Estado proposto pelo Governo para 2025 previa 58,7 milhões de euros para o desporto, uma quantia inferior à distribuída através deste sistema.