Flamengo critica CBF por manter jogo sem convocados para Mundial: "Conflito de interesses"

Flamengo critica CBF por manter jogo sem convocados para Mundial: "Conflito de interesses"

"Numa competição de pontos corridos, onde todas as jornadas têm igual importância na definição do campeão, não existe equidade nem equilíbrio competitivo quando um clube é forçado a jogar sem vários atletas, como acontece com Flamengo e Palmeiras, apenas porque estes jogadores foram cedidos às suas seleções (quatro para o Brasil)", afirmou o Flamengo este sábado (23).

"Quando a mesma organização gere a Seleção Brasileira e o principal torneio nacional, alguém acaba prejudicado neste conflito de interesses. Desta vez, mais uma vez os mais afetados são os clubes", complementou.

O encontro com o Coritiba está agendado para o próximo sábado (30), às 16h, no Maracanã, pela 18ª jornada do Brasileirão. O Flamengo argumenta que o jogo poderia realizar-se em 4 de agosto, data reservada para a Copa do Brasil, já que ambas as equipas estão eliminadas da competição.

Com a decisão atual, o Fla não poderá contar com Danilo, Léo Pereira, Alex Sandro e Lucas Paquetá, que se juntam à Seleção na quarta-feira (27). No domingo (31), o Brasil enfrenta o Panamá em amigável, também no Maracanã.

O Rubro-Negro deverá ter mais cinco convocados para o Mundial: Varela, De La Cruz e Arrascaeta, do Uruguai; Gonzalo Plata, do Equador; e Carrascal, da Colômbia.

"A qualidade do espetáculo fica comprometida, a integridade desportiva é afetada e o produto perde valor, além de criar uma lógica inversa: as equipas que mais investem são precisamente as mais penalizadas", protestou o Flamengo.

Leia o comunicado na íntegra:

"Perante o mais recente impasse no Campeonato Brasileiro de 2026, sobre adiar ou não os jogos da 18ª jornada das equipas com vários convocados para o Mundial da FIFA, é necessário refletir: onde estamos a falhar e como resolver estes problemas?

Neste caso, o erro é evidente. Numa competição de pontos corridos, onde todas as jornadas têm igual importância na definição do campeão, não existe equidade nem equilíbrio competitivo quando um clube é forçado a jogar sem vários atletas, como acontece com Flamengo e Palmeiras, apenas porque estes jogadores foram cedidos às suas seleções (quatro para o Brasil).

Reconhecemos os progressos da atual direção da Confederação Brasileira de Futebol, que entre outros aspetos procurou otimizar e ajustar o calendário para resolver problemas históricos, assim como a relevância do Mundial para a CBF e para o país. Mas é precisamente aqui que reside o dilema. Quando a mesma organização gere a Seleção Brasileira e o principal torneio nacional, alguém acaba prejudicado neste conflito de interesses. Desta vez, mais uma vez os mais afetados são os clubes. Um contraste neste cenário é a UEFA, que defendeu os seus membros, a sua competição e conseguiu, junto da FIFA, autorização para que a final da Liga dos Campeões da Europa conte com as suas estrelas em campo.

Quando equipas são obrigadas a jogar sem os seus principais jogadores devido a convocações, quem perde, acima de tudo, é o adepto. Tanto o que compra bilhete como o que segue as transmissões. A qualidade do espetáculo fica comprometida, a integridade desportiva é afetada e o produto perde valor, além de criar uma lógica inversa: as equipas que mais investem são precisamente as mais penalizadas.

No passado, soluções temporárias da CBF tentaram atenuar este problema recorrente, como a impossibilidade de uma equipa atuar caso cinco dos seus jogadores fossem convocados. Outro exemplo ocorre atualmente, quando o Brasileirão para durante as Datas FIFA, mas recomeça apenas dois dias depois. O Flamengo já teve de fretar aviões para trazer atletas que jogaram numa terça-feira à noite noutro continente e entraram em campo menos de 48 horas depois.

Estas medidas temporárias já não acompanham a realidade do futebol brasileiro. Enquanto os investimentos dos clubes aumentam, equipas brasileiras conseguem repatriar jogadores ainda no auge da forma física, manter talentos por mais tempo, estruturar departamentos multidisciplinares com profissionais de topo e investir cada vez mais em Centros de Treino e infraestruturas. O futebol brasileiro evoluiu, e a gestão das suas competições precisa evoluir também.

É mais do que urgente a criação de uma liga organizada no Brasil. A CBF é importante neste processo e deve participar ativamente nesta construção, mas entendendo que este é um movimento liderado pelos clubes. Não há soluções fáceis para problemas complexos, mas o futuro passa por uma mudança de rumo inevitável: o Campeonato Brasileiro precisa ser pensado e conduzido sob a perspetiva dos clubes, dos seus atletas, dos seus adeptos e dos seus investidores, e no fortalecimento do próprio produto.

Recordista de público como anfitrião e com bilhetes esgotados no setor visitante em 100% dos jogos fora de casa até agora, o Clube de Regatas do Flamengo e os seus adeptos levam o Campeonato Brasileiro muito a sério. É precisamente por isso que o clube lamenta ter de entrar em campo incompleto devido às convocações para o Mundial, mesmo que as eliminações precoces de Flamengo e Coritiba na Copa do Brasil permitissem encontrar uma solução jogando a 4/8/26, sem conflitos com a Copa do Brasil. Quem estiver em campo fará tudo para oferecer um grande espetáculo, mas é inegável que ele já nasce comprometido para os mais de 45 milhões de adeptos apaixonados pelo clube."