Filha de Maradona acusa irresponsabilidade da equipa médica

Filha de Maradona acusa irresponsabilidade da equipa médica

A equipa médica, o prestador privado de cuidados, "todos se tinham comprometido a assegurar uma hospitalização domiciliária séria: equipamento médico, enfermeiros, auxiliares, ambulância disponível 24 horas por dia à porta... Com o passar do tempo, percebemos que não era assim", afirmou Dalma no tribunal.

Numa intervenção em que a voz se partiu várias vezes devido à emoção, Dalma, de 39 anos, mencionou especialmente um episódio em que Maradona, durante o período de hospitalização domiciliária após a cirurgia, teve uma intoxicação alimentar.

A coordenadora de enfermagem, que está entre os arguidos, contactou então as filhas de Maradona, contou Dalma. "E aí percebemos que não existia ambulância, porque dissemos: 'Que o transfiram de ambulância.' Mas não havia nenhuma ambulância e ninguém assumia a situação".

"Se soubéssemos que seria assim, essa opção (a hospitalização domiciliária) nunca teria sido considerada. Se nos tivessem informado que não existiria ambulância, isto não teria ocorrido. Porque, tendo em conta o estado do meu pai, era fundamental", insistiu.

Enquanto a sua irmã Gianinna, de 37 anos, e a sua meia-irmã Jana, de 30, já tinham prestado depoimento, Dalma falava pela primeira vez no julgamento em San Isidro (norte de Buenos Aires). Sete profissionais de saúde (médico, psiquiatra, psicólogo, enfermeiros) estão a ser julgados por "homicídio com dolo eventual", ou seja, negligências cometidas sabendo que poderiam causar a morte. Enfrentam até 25 anos de prisão.

O lendário futebolista argentino faleceu aos 60 anos, no dia 25 de novembro de 2020, vítima de uma paragem cardiorrespiratória associada a um edema pulmonar, sozinho na cama de uma casa alugada para a sua convalescença em Tigre (norte de Buenos Aires). Posteriormente, de acordo com os testemunhos de médicos legistas, sofreu várias horas de agonia.