Federação croata recorre oficialmente à FIFA e denuncia "abuso de tecnologia" na Copa
"A Federação Croata de Futebol enviou uma carta ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, para expressar nossa profunda decepção e discordância em relação ao jogo contra Portugal, não pelas decisões de arbitragem em si, já que elas podem ser debatidas após cada partida, mas pelo processo que levou a essas decisões", explica o responsável de comunicação da federação croata, citado pelo portal croata net.hr.
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Dois lances principais concentram a frustração croata. O primeiro está relacionado ao pênalti marcado para a seleção portuguesa, uma jogada em que, segundo a federação croata, a assistência de vídeo (VAR) teria ultrapassado suas funções básicas.
A federação considera que "o protocolo do VAR foi aplicado de maneira totalmente incorreta" e insiste que "o árbitro nunca deveria ter sido chamado para revisar o lance no monitor à beira do gramado".
O segundo lance, ainda mais decisivo, diz respeito ao gol de empate anulado do defensor Josko Gvardiol. A HNS critica uma decisão automática ditada pela tecnologia em detrimento da realidade dos fatos e das imagens.
"Ainda mais importante, acreditamos que o gol de empate de Josko Gvardiol foi anulado de forma equivocada por impedimento. Contrariando as Regras do Jogo e o espírito do futebol, Mario Pasalić foi considerado impedido por um suposto toque de Igor Matanović que, na nossa visão, não existiu; a decisão foi tomada simplesmente porque o sensor indicou que houve contato".
Um apelo para preservar o espírito do futebol
Além do simples protesto técnico, a federação croata levanta um debate mais profundo sobre a evolução do futebol moderno e a presença constante de ferramentas conectadas (como chips integrados nas bolas). A Croácia demonstra preocupação com uma tendência de desumanização da arbitragem.
"Acreditamos que isso representa um abuso da tecnologia. Valorizamos a tecnologia no futebol, mas não achamos que esse tipo de aplicação traga benefícios para a FIFA, para os times ou para os torcedores".
Ciente de que esse procedimento administrativo não mudará o resultado final da partida, a HNS busca principalmente criar um precedente e forçar a entidade máxima do futebol a esclarecer o uso de suas ferramentas mais avançadas.
"Sabemos que nossa carta não vai aliviar a dor e a decepção dos nossos torcedores e jogadores", reconhece Tomislav Pacak para concluir, "mas acreditamos que é importante chamar a atenção da FIFA para essas questões e pedir uma explicação detalhada de todas as decisões".
A FIFA e seu presidente, Gianni Infantino, estão agora sob os holofotes. Esse pedido de explicações detalhadas pode reabrir o debate crucial sobre o limite entre a assistência tecnológica legítima e a perda total do julgamento humano dentro de campo.