Exclusivo: Ex-companheiro de Messi crava argentino acima de Pelé e vê Brasil favorito
Companheiro de Lionel Messi na base do Barça, o ex-jogador e atual comentarista da Televisa/Univision analisou, em entrevista ao Flashscore, a "Copa das Estrelas", além de destrinchar a evolução tática do Brasil de Ancelotti e revelar o segredo de La Masia.
Confira a tabela da Copa do Mundo no Flashscore
Aposentado dos gramados desde 2017 e cobrindo sua terceira Copa do Mundo como comentarista da gigante mexicana Televisa e da Univision nos Estados Unidos, Crosas não tem dúvidas sobre quem é o maior jogador da história.
Assista à entrevista abaixo:
Confira os principais trechos:
Flashscore: Você viveu o dia a dia com Lionel Messi em La Masia. Para você, ele já superou Maradona e Pelé? Como foi vê-lo se transformar no que é hoje?
Marc Crosas: Eu entendo que é algo muito subjetivo, uma opinião pessoal. Mas para mim, que vivi isso com ele, que o vi crescer e vi como ele era quando criança e como se transformou... é claro. Por exemplo, quando tínhamos 14 ou 15 anos e o Ronaldinho Gaúcho jogava no time principal do Barça sendo o melhor do mundo na época, ninguém imaginava que o Messi o superaria. Pensávamos que ele seria o melhor entre nós, mas não o melhor do Barça, nem do mundo.
Vendo o que ele conquistou, e principalmente por quanto tempo se manteve no topo, e o que continua fazendo hoje, aos 39 anos, para mim ele é o melhor. Isso foi confirmado no Catar. Aqueles que diziam que ele precisava ganhar uma Copa do Mundo viram ele ganhar. Para mim, foi lá que ele dissipou qualquer dúvida. Mas, ao mesmo tempo, hoje, jogando na MLS e na seleção, quando pensávamos que ele não teria o mesmo impacto, ele continua tendo. Continua deixando sua marca, sendo importante e sendo mais líder do que antes. Para mim, não há dúvida (sobre quem é o melhor).
Eu entendo, meu avô me dizia que Pelé era magnífico, mas eu não o vi jogar. O futebol evoluiu. Provavelmente, se Pelé jogasse na era atual, com as melhores condições de treinamento e preparação, ele também seria uma figura histórica enorme. Mas acredito que, à medida que tudo evolui, fica melhor. Por isso, na minha opinião, Messi merece muito mais reconhecimento.
Flashscore: Marc, qual é a sua leitura geral sobre o nível técnico e a competitividade desta Copa do Mundo até aqui?
Marc Crosas: No geral, é um torneio de altíssimo nível, com equipes muito competitivas. O que temos visto muito são as equipes que tentam interromper as que tomam a iniciativa defendendo em um bloco muito recuado, dando pouco espaço. Algumas delas são perfeitamente capazes de lançar contra-ataques rápidos e causar problemas reais, como vimos Cabo Verde fazer ontem contra a Argentina, e também contra o Uruguai. Eles têm a capacidade atlética para isso. Há outros adversários ainda mais difíceis, como o Paraguai, que defende muito bem e é muito organizado, mas que, na hora de recuperar a bola, tem uma vantagem muito grande no ataque.
Acompanhe Brasil x Noruega com narração ao vivo no Flashscore
Acima de tudo, esta é a "Copa das Estrelas". Algumas surgiram em circunstâncias diferentes, de formas diferentes. É claro que o Cristiano Ronaldo não é o mesmo jogador de oito anos atrás, mas continua sendo fundamental. É o caso de Messi, Mbappé, Haaland, Kane e Vini Jr. E espero que vejamos o Neymar também, porque todos que amam este esporte precisam de estrelas como ele em campo. Precisamos de seleções com um nível de jogo muito alto, como Marrocos dando continuidade ao que conquistou há quatro anos.
Flashscore: E sobre a Seleção Brasileira? O Brasil chegou a este torneio cercado de dúvidas, mas você vê a equipe em um nível pronto para buscar o título mundial?
Marc Crosas: Se há uma seleção que realmente evoluiu desde as expectativas básicas que eu tinha antes do início do torneio até hoje, para mim, essa seleção é o Brasil. Quando você coloca jogadores como Vini Jr., Raphinha, Matheus Cunha, Paquetá, Endrick, Bruno Guimarães, Casemiro, e quem quer que jogue na zaga com Marquinhos e Alisson... são todos de alto nível. E se você coloca também o Carlo Ancelotti, que é um cara muito experiente e organizado, a equação tem que ser positiva.
O primeiro jogo contra o Marrocos foi difícil, o Brasil foi dominado no início, mas depois se reajustou e evoluiu. Fizeram o mesmo contra o Japão; não começaram tão confortáveis, mas depois da lesão do Paquetá, o Ancelotti reajustou o time entre o Cunha e o Endrick, mandando o Vinicius para a ponta. Acho isso muito importante: o Vini joga melhor pelo lado, sendo mais desequilibrante, agrega muito mais ao Brasil. Hoje, para mim, o Brasil é um dos grandes candidatos ao título.
Obviamente, vão enfrentar agora a Noruega, que vem se saindo muito bem, mas o Brasil vem confirmando o momento e se estabelecendo para as quartas de final. Para a sequência, espero que contra o México o Brasil tenha muito a considerar (risos). Para mim, a França está à frente de todos os outros e a Espanha também melhorou, mas o Brasil evoluiu muito.
Flashscore: O Barcelona vive uma crise financeira, mas a base continua salvando o clube. O que há em La Masia que permite produzir talentos geracionais em sequência, como foi com o Messi e agora com o Lamine Yamal?
Marc Crosas: É difícil explicar, mas, no fim das contas, é o fato de todos trabalharem da mesma maneira, desde os 10 anos até os 18 ou 25, quando já se chega ao time principal. Essa forma de trabalhar, treinar e viver é transmitida desde cedo. Você absorve todos os conceitos importantes nas etapas mais fundamentais, que para mim são entre os 14 e 16 anos. Quando você chega ao profissional, começa jogando cercado por outros atletas de alto nível e coloca isso a serviço da equipe. No fim das contas, é um pouco de tudo, mas principalmente o fato de o clube acreditar no que está fazendo.
Existem muitas equipes que trabalham bem na academia, mas se o técnico do time principal não der oportunidades e confiança a esses jovens, não adianta. Hoje você vê o time principal do Barça, devido à situação econômica ou ao que aconteceu, com 12 ou 15 jogadores formados na base que sentem o clube, que fazem parte dele. Muitas condições precisam se alinhar para que isso aconteça. Pensávamos que quando o Leo Messi saísse do Barça, nunca mais teríamos um jogador de nível mundial formado na academia, aí o Lamine Yamal aparece. Espero que ele fique conosco por muito tempo, e que o clube continue trabalhando assim na base, mas também acreditando neles lá em cima.
Flashscore: Para fechar, como tem sido essa sua nova etapa profissional após deixar os gramados?
Marc Crosas: Minha carreira como jogador de futebol terminou no México. Me aposentei em 2017 e atualmente trabalho para a Televisa no México e para a Univision nos Estados Unidos como comentarista. Estou fazendo isso há muito tempo e gosto muito do meu novo trabalho. Esta já é a minha terceira Copa do Mundo. Espero que nesta terceira Copa vejamos o Brasil que todos estamos esperando. Eu quero muito que o México ganhe a Copa do Mundo — as chances não são muito grandes, mas todos nós temos direito a um sonho. Mas o Brasil me lembra 1994, 1998, onde meus grandes ídolos jogaram, muitos jogadores que também passaram pelo Barcelona, então espero ver um grande espetáculo.