Exclusivo com Hasselbaink: Como "arrasaria" na Premier League atual e o Boavista "onde tudo mudou"

Exclusivo com Hasselbaink: Como "arrasaria" na Premier League atual e o Boavista "onde tudo mudou"

Hasselbaink marcou 127 golos na Premier League vestindo a camisola de quatro equipas distintas - Leeds, Chelsea, Middlesbrough e Charlton. Duas vezes galardoado com a Bota de Ouro do campeonato, era temido pelo seu remate poderoso e eficácia implacável frente às balizas.

Viveu ainda uma temporada no Atlético de Madrid em 1999/00, onde apontou 24 golos em 34 encontros, tornando-se no segundo melhor marcador da liga. Marcou precisamente metade dos golos do Atleti, que acabou por descer, registando 35 golos no total entre todas as competições.

Tolga Akdeniz, da Flashscore, conversou com ele sobre a sua destacada carreira, sobre como se adaptaria à Premier League moderna, a situação do Chelsea e do Atlético, entre outros temas!

- Comecemos pelos primórdios da sua carreira. Teve um percurso pouco comum até chegar à Premier League. Uma fase difícil na Holanda, depois Portugal (no Boavista), onde as coisas começaram a endireitar-se. Como é que essas vivências o moldaram enquanto jogador - e enquanto ponta-de-lança de topo na Premier League?

A minha jornada foi diferente da maioria, verdadeiramente singular. Aproveitei ainda mais os êxitos que alcancei. Não diria orgulho, mas sem dúvida satisfação, porque nada me foi oferecido.

Nunca representei um grande clube holandês, então sempre lutei para evoluir. Tive de emigrar para Portugal, o meu caminho foi diferente. Quando finalmente as coisas deram certo no Leeds, senti um enorme reconhecimento. Isso motivou-me a dar ainda mais, pois já conhecia adversidades.

Via o futebol com outra perspectiva face a quem teve trajectos mais lineares. Para mim, foi extremamente gratificante, nunca assumi nada como garantido.

- Alguma vez duvidou que alcançaria o topo?

Sim, pois no início enfrentei grandes obstáculos. Não desisti, mas essas barreiras plantam dúvidas. Em Portugal, estava sozinho, sem redes de apoio, concentrado só no futebol. Treinar, descansar, comer, repetir. Respirava futebol, e foi aí que tudo mudou. Graças a Deus, correu bem.

- Sinto que é um avançado algo subvalorizado. Muitos desconhecem que foi duas vezes Bota de Ouro. Olhando para trás, do que mais se orgulha?

Representar a Holanda, sem dúvida. Nunca esperei, apenas sonhei. Ir ao Mundial de 1998, partilhar o grupo com Kluivert, Bergkamp, Van Hooijdonk, sendo um dos quatro eleitos. Isso prova que algo fiz bem.

As Botas de Ouro enchem-me de orgulho, claro. Mas defender a Holanda exigia um nível constante, senão ficava de fora. Nunca joguei num grande holandês, normalmente pré-requisito para ser convocado. É a minha maior conquista.

- Esteve também no Atlético e destacou-se. Quais as principais diferenças entre LaLiga e Premier League na época?

Fisicamente, um abismo. Na Premier, é intenso, rápido, físico. LaLiga mais lenta, defensores mais no chão, muitos livres, exigindo mais leveza.

Os jogos são bem mais tardios. Tive vantagem por vir de Inglaterra. Estava mais forte que muitos espanhóis. Se fosse o inverso, teria sido mais duro.

- Acha a Premier mais física hoje que no seu tempo?

Na verdade, menos. Continua acima da LaLiga, mas a rudeza diminuiu. No meu tempo, cotoveladas, entradas duras eram comuns. Agora com VAR, proíbem-se.

Os avançados não tinham proteção e esperavam um pontapé nos primeiros minutos. Era quase Faroeste!

- O seu estilo teria mais sucesso hoje?

Arrasaria! Marcaria muito mais. Vejo o jogo de outro modo, buscando espaços e oportunidades. Hoje há mais chances por jogo. Teria sucesso garantido.

- Isso relaciona-se com a qualidade dos centrais hoje versus antigamente?

Actuais são mais técnicos, menos físicos. Na minha era, todos tinham defesas de 1,88m ou mais, extremamente robustos. Agora o modelo mudou.

- E o Chelsea? Críticas às contratações, mudanças de treinador. Como resolvem?

Falam em rever a estrutura e trazer experiência. O treinador tem de ser o líder, o decisor final. Se os jogadores sabem que outros podem sobrepor-se, gera fraqueza.

Vê-se o Chelsea inconsistente, ora brilhante, ora apático. Há problemas internos. A solução começa no topo.

- Sobre o Atlético e a Champions. Eliminados pelo Arsenal. O que falhou?

Fizeram boa prova. O Atlético não é colosso, e o trabalho de Simeone é notável. Esperava mais no regresso, mas o Arsenal com espaço é perigoso. Meias-finais já é grande feito.

- Simeone deve continuar?

Enquanto ele quiser, sim. Fez pelo Atlético o que poucos. Não joga o futebol mais vistoso, mas é vencedor. Devem mantê-lo.

- E o Leeds? Daniel Farke transformou a equipa. Impressionado?

Muito. Após o jogo com o City, ele adaptou a equipa e nunca mais olharam para trás. Chegaram às meias da Taça, mas o essencial foi permanecer na Premier. Agora pode construir algo. Farke foi brilhante.

- Middlesbrough fora da Premier desde 2017. O que falta?

Perderam o treinador para o Wolves no momento errado. Tinham tudo para subir. Middlesbrough é um clube especial, merecia voltar.

- Terminemos com a Holanda. Mundial 1998 é a melhor memória?

Sem dúvida. Ficámos no Mónaco, treinávamos no seu campo. O ambiente, o dia a dia, tudo está vivo na memória, quase 30 anos depois.

- Holanda neste Mundial. Forte defesa, ataque questionável. O que espera?

Temos defesa sólida - Timber, Van Dijk, De Ligt, Van de Ven. Meio-campo competente - Gravenberch, De Jong. Se formamos organizados como a Alemanha, sem sofrer, explorando bolas paradas, podemos surpreender.