EUA negam desejo de substituir Irã por Itália na Copa do Mundo
Os rumores começaram depois das palavras de um conselheiro de Donald Trump ao jornal Financial Times. Ele afirmou que recomendou ao presidente dos Estados Unidos e ao líder da Fifa, Gianni Infantino, trocar o Irã pela Itália no campeonato que se realiza entre 11 de junho e 19 de julho.
A equipa do Irã atrai olhares devido às tensões ligadas ao conflito com os Estados Unidos e às restrições de imigração em vigor.
Washington defende que essas ações não impactam os atletas, mas persistem incertezas quanto à entrada de membros da comitiva e adeptos iranianos no país anfitrião, coorganizado também pelo México e pelo Canadá.
"O issue com o Irã não envolve os seus desportistas, mas sim certas pessoas que eles pretendem trazer, algumas ligadas ao Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, o braço ideológico do exército iraniano. Provavelmente não os deixaremos entrar, mas os atletas em si poderão vir com certeza", declarou Rubio a repórteres na Casa Branca.
Caso os jogadores iranianos "escolham não aparecer por vontade própria, é porque decidiram ficar", continuou. "O que não podem é levar ao nosso território um grupo de terroristas disfarçados de jornalistas e treinadores".
"Não faço ideia de onde veio isso, trata-se de conjecturas sobre o Irã poder optar por não participar e a Itália tomar o lugar", complementou o secretário de Estado.
A meio de março, no entanto, Trump considerou que a equipa iraniana não estaria "segura" caso viajasse para os Estados Unidos.
O Irã jogará os seus encontros do Grupo G em Los Angeles, frente à Nova Zelândia a 16 de junho e à Bélgica a 21 de junho, e depois em Seattle, contra o Egito a 27 de junho. O hotel base está planeado em Tucson, no Arizona.
Rejeição total na Itália
Enquanto o conflito no Médio Oriente cria interrogações sobre a presença iraniana, o conselheiro de Trump Paolo Zampolli afirmou esta quinta-feira ao Financial Times que expôs esse cenário pouco provável de substituir o Irã pela Itália a Trump e Infantino.
"Sou italiano de origem e seria um sonho ver a 'Squadra Azzurra' num torneio nos Estados Unidos. Com quatro troféus, tem o historial para merecer a inclusão", disse o conselheiro do presidente americano.
Em 2022, após o insucesso da Azzurra nas qualificações para o Mundial do Catar, houve pedidos infrutíferos à Fifa para excluir o Irã por violações de direitos humanos no contexto da repressão policial, abrindo caminho para a Itália regressar a um campeonato do mundo.
Os responsáveis italianos rejeitam essa ideia.
"Primeiro, não é viável. Segundo, não seria correcto, tem de se qualificar em campo", declarou o ministro do Desporto italiano, Andrea Abodi, segundo as agências italianas Ansa e AGI.
O presidente do Comité Olímpico Nacional Italiano, CONI, Luciano Buonfiglio, assegurou que se sentiria "ofendido" se a Itália entrasse assim. "É necessário ganhar o apuramento para a Copa do Mundo", enfatizou, de acordo com as agências italianas.
FIFA decide por conta própria
A Squadra Azzurra falhará o Mundial pela terceira vez seguida, após eliminação pela Bósnia e Herzegovina a 1 a 1 no prolongamento e 4 a 1 nos penáltis no final de março, no playoff europeu.
Questionada pela AFP, a entidade que rege o futebol recordou recentes afirmações de Infantino, cujas ligações abertas com Trump provocam críticas.
"O Irã estará na Copa" e defrontará, como programado, os jogos da fase inicial nos Estados Unidos, afirmou o presidente da Fifa à AFP no final de março.
"O Irã tem de vir, representa o seu povo, qualificou se, os jogadores desejam competir", disse mais tarde, a meio de abril, numa conferência económica em Washington, desejando que o Médio Oriente atinja em breve uma "situação de paz".
No arranque do conflito iniciado por Estados Unidos e Israel a 28 de fevereiro, o Irã pensou num "boicote" ao evento, antes de pedir à Fifa para mudar os seus jogos para o México. A entidade recusou.
O regulamento da Fifa permite à organização decidir autonomamente as ações se uma equipa abandonar o torneio.
"O futebol é do povo, não dos políticos. A esforço para barrar o Irã da Copa do Mundo só expõe a bancarrota moral dos Estados Unidos, que receia até a chegada de 11 jovens iranianos aos relvados", publicou esta quinta feira na rede social X a embaixada iraniana em Roma.