Escócia: Hearts defronta Celtic no confronto final para conquistar campeonato memorável
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Uma temporada repleta de drama avança para um encerramento cheio de emoção, após um penalti controverso aos 90+9 minutos assegurar o triunfo do Celtic em Motherwell na quarta feira.
Os detentores do título contam com apenas um ponto de desvantagem em relação ao Hearts e reconhecem que o sucesso lhes trará o 14.º campeonato em 15 temporadas.
Nas últimas quatro décadas e uma o domínio tem sido exclusivo de Celtic e Rangers sem exceções.
O Hearts manteve a dianteira ao longo da maior parte da campanha, beneficiando da turbulência que afetou os dois clubes de Glasgow.
Com o suporte do dono do Brighton, Tony Bloom, e do seu avançado sistema de análise de dados, os Jambos contrariaram uma significativa desvantagem orçamental para contestar a supremacia caseira do Celtic.
O derradeiro revés na disputa pelo troféu adicionou ainda maior intensidade a esta partida crucial.
Caso não houvesse esse golo no fim, o Celtic precisaria de vencer por três golos de margem no sábado, graças à superioridade do Hearts no saldo de golos.
"É mesmo bastante injusto, para dizer a verdade", declarou o técnico do Hearts, Derek McInnes, depois do penalti marcado por Kelechi Iheanacho selar uma vitória por 3-2 do Celtic em Motherwell.
"Parece que é o mundo inteiro contra nós".
As imagens em repetição não puderam confirmar se o braço erguido de Sam Nicholson, do Motherwell, contactou ou não com a bola na grande área.
O ex avançado inglês Gary Lineker descreveu o veredicto como potencialmente a "decisão mais errada do VAR que alguma vez assisti".
O Hearts, propriedade dos seus sócios, emitiu um comunicado na quinta feira expressando estar "profundamente inquieto" com as arbitragens recentes e solicitou esclarecimentos às instâncias do futebol.
A ameaça de ser ultrapassado pelo Celtic nos momentos finais é um enredo dolorosamente conhecido para os fãs do Hearts, que se lembram de um desfecho idêntico quando quase alcançaram o título na época 1985/86.
Bastaria não perder, no entanto o Hearts cedeu dois golos nos sete minutos finais e caiu por 0-2 perante o Dundee, o que permitiu ao Celtic erguer a taça pelo critério de golos.
O'Neill consolida o Celtic
Os Hoops atravessaram um ano conturbado, tanto em campo como fora dele.
A ausência de reforços significativos no elenco durante o verão passado provocou descontentamento nos adeptos do Celtic e facilitou a saída problemática de Brendan Rodgers da direção técnica em outubro.
Wilfried Nancy permaneceu apenas 33 dias no posto, após sofrer seis derrotas em oito partidas.
Em duas ocasiões, Martin O'Neill, com 74 anos, voltou ao Celtic Park para assumir interinamente e acalmar a formação.
Ainda que persistam as críticas à administração, as manifestações dos torcedores diminuíram nesta fase decisiva e a sanção de seis meses a um coletivo de ultras quanto à presença nos jogos foi revogada pelo emblema.
As oito derrotas na liga do Celtic representam o registo mais fraco desde 1999/2000, antes da estreia de O'Neill no clube. Todavia, o conjunto recuperou o ritmo no momento certo para defender o ceptro, com sete triunfos seguidos.
"É positivo chegarmos à derradeira jornada, algo que cinco ou seis semanas atrás parecia remoto. Penso que temos uma chance, atuamos em nossa casa. A atmosfera será incrível", comentou O'Neill.
O Hearts superou duas vezes e igualou uma nos três embates anteriores com o adversário esta temporada, mas apenas o empate ocorreu sob o comando de O'Neill no Celtic.
"Entrarás num recinto com 60.000 espectadores, o fervor será total. Para o nosso grupo, este calibre de partida, esta cena, nós merecemos e enfrentá laemos com garra. Não recuaremos perante o obstáculo. Mantemos um sólido historial ante o Celtic", complementou McInnes.