Éric Cantona revela os demónios internos num documentário em Cannes

Éric Cantona revela os demónios internos num documentário em Cannes

"Procuro sempre saber quem sou por isso deixei me guiar pelo instinto" afirmou Cantona à AFP este sábado. "Claro que há momentos em que tudo sai um pouco do controlo mas isso faz parte do jogo e assumo isso" confessa a lenda do Manchester United.

O documentário Cantona realizado pelos britânicos David Tryhorn e Ben Nicholas examina o ex futebolista de personalidade única através de longas entrevistas que parecem sessões de psicoterapia.

O antigo avançado dos Bleus garante à AFP ser um adepto fiel da terapia. "Fiz terapia várias vezes comecei aos 20 anos e continuo por fases. É um mundo que me interessa" explica Cantona que também participa num filme (Les Matins merveilleux) em Cannes.

No documentário refere várias vezes o "fogo" e o "demónio" que traz dentro de si o que o tornou num jogador impulsivo em campo mas também capaz de mudar o rumo de um jogo com um gesto ou golo inesperado.

Os realizadores focaram o relato nos seus cinco anos no Manchester United (1992 a 1997) sob o comando do mítico treinador Alex Ferguson período em que se tornou um dos grandes ícones do futebol inglês pelas suas conquistas dentro e fora das quatro linhas.

Cantona é um dos dois documentários sobre futebol exibidos em Cannes este ano juntamente com The Match que recorda o lendário jogo dos quartos de final do Mundial 1986 entre Argentina e Inglaterra. Na sexta feira foi também anunciado um documentário sobre o italiano Carlo Ancelotti atual selecionador do Brasil realizado por Paulo Sorrentino.

"Muitos documentários atuais parecem anúncios para os desportistas" declarou à AFP o realizador David Tryhorn. "Enquanto o Éric está totalmente disponível para se mostrar com uma franqueza brutal e aceitar que sou assim com todos os meus defeitos e todas as minhas virtudes. Isso é muito raro num filme deste género" acrescentou.