Equipa feminina de futebol do Irã parte da Austrália sem as cinco jogadoras que solicitaram asilo
A equipa nacional feminina de futebol do Irã regressou da Austrália, local da Taça da Ásia, sem as cinco jogadoras que saíram do acampamento e pediram proteção no país oceânico.
O grupo viajou de Sydney para Kuala Lumpur esta terça-feira (10), devendo continuar o voo de regresso ao Irã, conforme noticiou o canal australiano ABC.
A Austrália aprovou na segunda-feira o asilo para cinco jogadoras, incluindo a capitã Zahra Ghanbari, apelidadas de traidoras pelo regime de Teerã por não entoarem o hino nacional antes de um jogo da Taça da Ásia.
O ministro do Interior australiano, Tony Burke, justificou a decisão pelo receio de perseguição às atletas caso regressassem ao Irã.
As cinco jogadoras fugiram do hotel onde a equipa se encontrava na madrugada de segunda-feira.
A polícia australiana transportou-as para um lugar seguro. Na noite passada, concedi a aprovação final aos pedidos de visto humanitário, afirmou Burke à comunicação social.
Elas podem permanecer na Austrália, aqui estão protegidas e devem sentir-se como em casa, complementou.
As 26 membros da delegação iraniana chegaram à Austrália pouco antes do início dos ataques de Israel e dos Estados Unidos que causaram a morte do líder supremo, o ayatolá Ali Khamenei, a 28 de fevereiro.
De acordo com Burke, o governo australiano manteve discussões confidenciais durante vários dias com as jogadoras para concluir os pedidos de asilo das atletas que o solicitaram.
Ao longo da segunda-feira, diversas organizações e figuras proeminentes de várias esferas, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o filho do último xá do Irã, Reza Pahlavi, ou a escritora britânica J.K. Rowling, criadora da série Harry Potter, apelaram às autoridades australianas para concederem asilo às jogadoras iranianas, temendo represálias no país delas.
Segundo Zaki Haidari, ativista da Amnistia Internacional, as atletas enfrentam o risco de perseguição se voltarem ao Irã.
É possível que algumas já tenham as famílias ameaçadas, acrescentou Haidari à AFP.
A equipa do Irã participou pela primeira vez na Taça da Ásia feminina em 2022, na Índia. As jogadoras tornaram-se heroínas nacionais num país onde os direitos das mulheres são fortemente restringidos.