Entrevista Exclusiva com Irene Paredes: 'Temos de jogar bem para que mantenham o Camp Nou aberto e venham assistir aos nossos jogos'
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- Faltam poucas horas para voltarmos ao Camp Nou. No atual elenco, quase metade das atletas nunca atuaram aqui. Como as jogadoras que vão estrear estão a viver estes instantes finais?
- As atletas mostram-se bastante entusiasmadas. Para várias de nós, já disputámos partidas decisivas, ainda que não neste estádio. O entusiasmo mantém-se idêntico. As que ainda não experimentaram isso, juntamente com as oriundas de Barcelona e proximidades, sentem uma emoção particularmente intensa. Desejamos estar presentes, mas reconhecemos a necessidade de chegarmos preparadas e de nos organizarmos adequadamente para o encontro. Queremos o apoio do público, porém o essencial é alcançar um bom resultado e exibir um desempenho sólido.
- O que as suas colegas de equipa lhe questionam? Têm curiosidade sobre como é competir num recinto como esse?
- Em vez de indagações, as mais jovens manifestam um forte anseio por lá estarem. Afinal, ao pisar o relvado, trata-se sempre de futebol. Possuímos a habilidade de nos abstrairmos do ambiente circundante. A formação pretende competir, mas acima de tudo deseja atuar com excelência.
- Trata-se do terceiro jogo em nove dias, com todo o cansaço físico e psicológico associado. Ademais, acabou de se tornar mãe, parabéns! De onde retira a energia num período tão desafiador da temporada?
- Agradeço. De facto, existe uma concentração elevada de encontros relevantes agora. Quanto à minha condição pessoal, as noites nem sempre são tranquilas, mas também não são terríveis. Procuro gerir o sono de forma a repousar o suficiente, pois é crucial atender a todos os detalhes para uma recuperação ótima e chegar ao pico de forma aos jogos.
- Cata Coll afirmava que nunca se fartava de disputar os Clássicos. Isso também vale para si?
- Com certeza. São confrontos únicos, que demandam foco total e rendimento no limite. Creio que apreciamos isso. Deveras, na segunda partida frente a elas, alteraram a estratégia tática. Isso permitiu-nos demonstrar a nossa versatilidade e assegurar a vitória. É recompensador, especialmente ao obtermos um desfecho favorável, e desejo que se mantenha assim.
- Mencionou a chance de o Real Madrid tentar algo surpreendente amanhã para vos desestabilizar?
- Suponho que tenham estudado os duelos prévios e pretendam ajustar certos elementos para que o jogo lhes favoreça mais. Da nossa banda, iremos ajustar os lapsos dos dois derradeiros jogos. Do primeiro ao segundo, já havíamos corrigido alguns pontos e os resultados melhoraram. Teremos de nos ajustar e impor o nosso estilo de jogo.
- Será um dia memorável para todas, mas especialmente para Alexia Putellas, que assinalará o seu 500.º jogo. O que ela contribui para o coletivo, em campo e fora dele?
- 500 partidas é impressionante, um marco gigantesco. E não julgo ser casualidade que atinja essa marca no Camp Nou. O que se pode afirmar sobre Alexia? É um exemplo dentro e além do terreno, uma capitã. Alexia representa o Barça.
- Encontrarão um Camp Nou que, pela primeira vez, possui um balneário dedicado à equipa feminina. Visitaram-no no final do ano passado, o que impressionou?
- Na visita, ainda não se encontrava concluído, pelo que o observámos de relance. Vimo-lo com grande envidia e expectativa. É um indício de que o emblema nos valoriza. É certo que nunca equipararemos à formação masculina, mas demonstra que realizaremos algumas partidas aqui. Agora, compete-nos atuar bem para motivar as pessoas a prosseguirem com a abertura do Camp Nou e a comparecerem aos nossos jogos.
- Já se esgotaram mais de 45 mil bilhetes. O que isso representa para si?
- Torço para que o público se mantenha animado nestes dias derradeiros e enchamos o estádio até ao limite atual, mas já é um número excelente. Gostaria de manifestar gratidão aos fãs e incentivar os indecisos a adquirirem entradas. Como referi, cabe-nos agora assegurar que o nosso rendimento em campo justifique a presença e partilhemos a nossa paixão com os adeptos.
- Pere Romeu costumava enfatizar que era vital que o público se revê-se na equipa. Considera que o nível e a identidade atual do jogo indicam que vivem o auge da ligação com os torcedores?
- Julgo ser essencial que as pessoas se sintam representadas, parte integrante do projeto de algum modo. Isso concretiza-se com bom futebol, entrega total e uma certa acessibilidade aos fãs. Quando há sintonia, tudo flui melhor e mais prazeroso, o que nos impulsiona. Estamos numa fase positiva e, com bom rendimento, é mais simples contarmos com o suporte público.
- Afirmou que se isola de tudo em campo, mas prepara-se de modo distinto para este jogo no Camp Nou nos treinos?
- Não. O único aspeto que varia é que, com tanta assistência, a comunicação oral no relvado complica-se. Assim, a comunicação por gestos ganha relevo. No mais, o resto é mero enquadramento. Mantemo-nos focadas no jogo, no habitual diário, sem mais nada.
- Regressando ao Real Madrid, a sua ameaça surge frequentemente de Linda Caicedo. No primeiro embate, ela complicou-vos, mas no segundo neutralizaram-na eficazmente. Planeiam algo particular contra ela?
- Evidentemente, é uma peça chave no Real Madrid. No primeiro jogo, causou danos com os seus dois golos. No segundo, contivemo-la de forma notável e escassearam-lhe as chances. Penso que não efetuaram um único remate enquadrado em todo o encontro, o que reflete o sólido labor defensivo e a nossa reação à tática delas. Presumo que ajustem algo para a explorarem mais, já que é um dos seus trunfos principais.