Dono do Manchester United lamenta escolha de palavras em declaração contra imigração

Dono do Manchester United lamenta escolha de palavras em declaração contra imigração

O britânico Jim Ratcliffe, fundador do grupo Ineos e coproprietário do Manchester United, afirmou nesta quinta-feira 12 que lamenta a controvérsia gerada pelas suas declarações sobre um Reino Unido colonizado por imigrantes, pedindo desculpa pela escolha de palavras, embora mantenha a sua posição.

Lamento que a escolha de palavras tenha ofendido algumas pessoas no Reino Unido e na Europa e tenha causado desconforto, mas é fundamental debater a importância de uma imigração controlada e bem gerida, em prol do crescimento económico, escreveu o líder de 73 anos num comunicado.

Ratcliffe sublinhou que pretendia enfatizar a necessidade de os governos lidarem com os desafios migratórios em conjunto com investimentos em competências, indústria e emprego, para que a prosperidade a longo prazo seja partilhada por todos.

O empresário, apoiante do Brexit que reside no Mónaco e simpatizante do líder anti-imigração Nigel Farage, causou polémica na quarta-feira após uma entrevista na Sky Sports, onde referiu um Reino Unido colonizado por imigrantes.

O bilionário criticou uma economia com nove milhões de pessoas a receber subsídios sociais e um fluxo massivo de imigrantes, baseando-se em estatísticas demográficas incorretas para defender a sua visão.

A entrevista provocou uma reação intensa, especialmente entre os adeptos do Manchester United e no meio político.

O primeiro-ministro britânico, o trabalhista Keir Starmer, exigiu que Ratcliffe se retratasse pelas declarações ofensivas e erradas.

O prefeito trabalhista da Grande Manchester, Andy Burnham, juntou-se às críticas esta quinta-feira no X.

Pedir para restringir os fluxos migratórios é uma questão, mas descrever os que chegam como uma força invasora hostil é outra. É inexato, insultuoso e inflamatório, e devia ser revisto, declarou o político.

A associação Kick It Out, que combate a discriminação no futebol inglês, também condenou as declarações vergonhosas, que semeiam divisão num momento em que este desporto tanto contribui para unir as comunidades.

A organização criticou ainda os números imprecisos referidos e recordou que o Manchester United tem uma base de adeptos muito diversa e joga numa cidade cuja história cultural foi enriquecida pelos imigrantes.