Dirigente da FIFA atenua receios políticos e de segurança antes do Mundial de Futebol
A organização do campeonato, que será realizado pelos Estados Unidos, México e Canadá, enfrenta obstáculos devido ao conflito no Médio Oriente, às políticas de controlo de imigração do executivo de Donald Trump e à violência causada pelo crime organizado no México, entre vários outros elementos.
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A Federação de Futebol do Irão (FFIRI) indica que já iniciou diálogos com a FIFA acerca da opção de disputar os seus jogos noutro local que não os Estados Unidos, reagindo aos avisos de Trump de que os futebolistas iranianos poderiam correr riscos.
Por outro lado, os adeptos mencionam problemas na obtenção de vistos e receio em relação aos controlos fronteiriços.
No entanto, Montagliani, líder da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caraíbas (Concacaf), afirmou que estas inquietações não diferem das que precederam torneios passados.
"A verdade é que o Mundial de Futebol sempre envolveu questões geopolíticas. Sempre", afirmou o responsável na conferência Business of Soccer, que decorreu em Atlanta, nos Estados Unidos.
"Recordemos 1978, na Argentina, com a junta militar e tudo o resto", complementou Montagliani, aludindo ao evento que se realizou durante a ditadura militar no país sul-americano.
Entidades de direitos humanos referem que perto de 30 mil indivíduos pereceram ou foram raptados ao longo da ditadura argentina, uma das mais brutais da América Latina.
"Neste preciso momento, tudo parece exagerado porque o mundo inteiro está exagerado, quer nas redes sociais quer na maneira como a comunicação social relata os factos", exprimiu o vice-presidente da FIFA.
"E, no fim, tal como em qualquer outro Mundial, a 11 de junho, quando a bola começa a rolar, de algum modo, todos deixam de se preocupar com o resto e concentram-se no jogo", acrescentou.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, tem enfrentado críticas pela sua proximidade com Trump, que abrange a sua presença numa cimeira de paz sobre Gaza promovida pelo líder norte-americano.
Infantino ofereceu a Trump o recentemente instituído Prémio da Paz da FIFA durante a cerimónia do sorteio dos grupos do Mundial, em dezembro.
"Em última análise, o nosso foco primordial é assegurar um nível elevado de segurança, pelo que é essencial manter uma relação forte com todos os governos envolvidos: Canadá, Estados Unidos e México", declarou Montagliani.
"Que os adeptos estejam seguros. Que se divirtam. E, depois, quando a bola rolar, tudo girará em torno do futebol", concluiu.