Diogo Dalot: "Gostava de estar a lutar pela Champions League, acredito que o clube está próximo de regressar a esse nível"
Oito anos de Manchester United: "O clube, a cidade, as pessoas, os adeptos, o estádio, o centro de treinos e até o caminho para o centro de treinos têm sido praticamente a minha vida profissional. Tenho muitas recordações do meu tempo no FC Porto e das viagens entre Braga e o Porto. Aqui, a minha vida é entre a minha casa em Hale e o centro de treinos em Carrington, e vais criando memórias e ligando instantes felizes e menos bons a esses locais. Ao olhar para o clube, sinto que é a minha casa. Por vezes é quase como se tivesse vindo da formação do United, porque cheguei muito novo e acabei por vivenciar todos esses processos: ser um miúdo, depois evoluir para jovem promessa, começar a atuar e de repente ter uma casa cá, cães, casar-me, ter filhos, ou seja, o ciclo de vida. Este clube está ligado a tudo isso."
Mudanças de treinadores: "Claro que ter muitos treinadores não é o melhor cenário, mas a mim deu-me imenso porque tive de me ir adaptando constantemente e isso forçou-me a sair da minha zona de conforto e a corresponder à exigência que um clube destes deve ter. A estar num clube como o Manchester United, se não estás acostumado a vencer e a tentar superar-te todos os dias, então estás no lugar errado. É evidente que essa adaptação não se tem verificado nas condições que eu mais desejaria, pois queria estar a lutar pela Premier League e pela Champions League, mas acredito genuinamente que o clube está próximo de regressar a esse patamar."
Expectativas dos adeptos do United: "No começo de cada temporada, o adepto do United acredita sempre que vamos conquistar a Premier League e a Liga dos Campeões, e é isso que mais me fascina neste clube. Não importa o que sucedeu na temporada anterior. No ano passado fechámos em 15.º na Premier League e no ano seguinte acabámos em terceiro. Nada assegura que no ano que vem não possamos vencer a Premier League ou a Champions League. Em agosto, no dia em que arrancar o campeonato e no primeiro encontro em Old Trafford, tenho a convicção de que os 70 mil adeptos que ali estiverem vão voltar a acreditar que podemos vencer a Premier League."
Como o plantel lida com essas expectativas? "Já estou cá há tempo suficiente para compreender que é necessário ter equilíbrio emocional, devido à montanha-russa que muitas vezes se vive aqui ao longo da época. Nós, atletas e corpo técnico, temos de ser os mais equilibrados a gerir essas emoções, mas sem nunca perder a ambição de vencer, porque o clube alimenta-se disso. O que os adeptos pretendem não é tanto sentir que jogas desta ou daquela forma, mas sim que estás pronto para dar tudo pelo clube, que abandonas aquele relvado com a sensação de que não podias ter feito mais. É evidente que precisamos de ter jogadores de qualidade e um futebol atrativo, que, para o adepto do United, significa jogar para a frente, transições rápidas, acreditar até ao último segundo que vamos ganhar o jogo."
Michael Carrick: "O Carrick conseguiu transmitir-nos isso através da forma como comunicou connosco e nas reuniões realizadas. A grande vantagem dele é que ele conhece na perfeição o que é jogar em Leeds fora de casa, ou em Stamford Bridge. Ele conhece o tipo de ambiente que vamos encontrar, ele sabe o que é jogar na Champions League. Na minha perspetiva, isso traz benefícios, porque para além da vertente teórica do treinador, ele esteve dentro do campo e sabe o que vai suceder. Eu penso que essa foi a grande mais-valia dele, para além de já se sentir em casa, já conhecer as pessoas e o ambiente. Para além de ter sido um grande jogador, está também a construir uma boa carreira como treinador."