Desempenho fraco num jogo amigável levanta alertas na Argentina antes do Mundial

Desempenho fraco num jogo amigável levanta alertas na Argentina antes do Mundial

A disparidade entre a equipa de Lionel Messi, que ficou no banco ontem em La Bombonera, e a Mauritânia é imensa. Não só pelo historial, mas também pela forma recente: os argentinos ocupam o terceiro lugar no ranking da FIFA, ao passo que os mauritanos... estão no 115.º.

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Mas essas diferenças encolheram bastante num jogo amigável em que os campeões do mundo mostraram um rendimento abaixo do previsto perante um oponente modesto, que celebrou a derrota por pouco. O encontro de preparação reacendeu as inquietações quanto ao estado actual de Messi e dos seus colegas, que não defrontam grandes selecções europeias desde o triunfo no Catar em 2022.

O próximo opositor, na terça-feira em La Bombonera? Zâmbia (91.ª), outra formação que não logrou qualificar-se para o Mundial da América do Norte.

"Para ser honesto, foi bastante mau. Foi um dos piores jogos amigáveis que já fizemos. Faltou intensidade, coesão e velocidade. É algo que temos de analisar. Quando envergam a camisola da selecção, temos de jogar muito melhor", afirmou o guarda-redes Dibu Martínez após o duelo com a Mauritânia.

Scaloni encara resultado como lição

Dibu destacou-se de forma inesperada, realizando várias defesas num jogo em que os africanos tiveram mais remates à baliza do que a Argentina (onze contra sete).

"Eles atacaram-nos em demasia. Vencemos. Também não conhecíamos bem o adversário, e eles jogaram como se as suas vidas dependessem disso. Precisamos de ter mais garra. Se tivéssemos jogado assim (contra a Espanha na Finalíssima), teríamos perdido", acrescentou o guarda-redes do Aston Villa.

Durante esta data FIFA, a última antes das convocatórias das selecções para o Mundial, a Argentina defrontaria a Espanha na Finalíssima em Doha, mas a guerra no Médio Oriente interrompeu esses planos.

"O jogo não foi bom, essa é a verdade. A equipa não rendeu bem, temos de o admitir. Mas é positivo que isto tenha acontecido agora; são aspectos que precisamos de trabalhar e corrigir. Podemos jogar muito melhor. Não há adversários fáceis nos dias de hoje, mas esta experiência é útil para nós. Não creio que a equipa tenha relaxado", declarou o treinador Lionel Scaloni.

O técnico abordou o jogo contra a Mauritânia com o objectivo de experimentar jogadores para o Mundial, incluindo o médio Nico Paz, que marcou o segundo golo com um livre bem executado, e o defesa Marco Senesi. Deu também minutos aos extremos Franco Mastantuono e aos laterais Agustín Giay e Gabriel Rojas.

"O jogo contra a Mauritânia incluiu ainda a actuação do extremo Franco Mastantuono e dos laterais Agustín Giay e Gabriel Rojas. Demos oportunidade aos jovens e vimos que contribuíram, mas quando o jogo se complica, torna-se mais difícil. É agora, à medida que o Mundial se aproxima, que precisamos de os ver em acção", acrescentou Scaloni.

Último jogo de Messi pela Argentina?

O rendimento apagado atingiu até Messi, que, ao entrar em campo, mal exibiu vislumbres da sua qualidade costumeira, saindo com um toque de frustração e preocupação pela exibição pouco inspirada. Embora se presuma amplamente que ele participará no Mundial, o camisola 10 de 38 anos ainda não confirmou a sua presença no torneio, em que o seu país está no Grupo J com Argélia, Áustria e Jordânia.

Por enquanto, o jogo de terça-feira seria o último da sua carreira com a camisola da Albiceleste em solo argentino.

"Estes jogos amigáveis servem para testes. Isso ajuda-nos a tirar muitas conclusões, que hoje não são positivas, porque todos viram como a equipa jogou", disse Scaloni.