De dispensado no São Paulo ao algoz do Flamengo: Erick tem um ano fantástico no Vitória
Erick não só está numa fase brilhante. Ele avança para ultrapassar o seu próprio registo. A época de 2026 já se fixou como a segunda mais frutífera da sua carreira, só atrás do memorável ano de 2023 pelo Ceará, em que totalizou 18 golos e 13 assistências.
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Ainda assim, os números presentes pelo Vitória mostram uma melhoria na eficácia: em meras 26 partidas, o avançado já regista 19 intervenções directas (nove golos e 10 assistências).
Ao passo que no pico anterior ele tinha uma média de 0,59 intervenções por jogo, no Rubro-Negro baiano esse valor subiu para 0,73 — um aumento de perto de 24% em produtividade por encontro. Mais polivalente, Erick já equiparou o seu melhor registo de assistências em metade do tempo.
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A assumir a responsabilidade na Taça do Brasil
O rendimento de Erick nesta Taça do Brasil alcança o nível máximo de eficiência ofensiva, como mostrado pelo percentual 100 em golos marcados (1.36 por 90 minutos). Mesmo com a amostra de tempo reduzida (132 minutos), o avançado exibe um aproveitamento mortal: a sua média de golos é quase igual à média de remates (1.4 chutes por jogo), o que sugere que quase todas as bolas que ele aponta ao golo terminam na baliza. Esse instinto de goleador é reforçado por uma agressividade contínua no um contra um, com 4.8 tentativas de drible por partida.
Além do fulgor ofensivo, os números indicam um jogador de grande dedicação tática. Erick conta com 6,1 acções defensivas por 90 minutos, revelando intensidade constante na reposição e na pressão após perda.
Com média de 4,1 recuperações de posse (77% de eficiência) e envolvimento activo no jogo, com 51 toques por partida, o avançado consolida-se como um extremo moderno e completo: decisivo no ataque, mas sem renunciar ao esforço defensivo.
Redenção após o Morumbi
As actuações recentes marcam também a "reviravolta" de Erick depois de uma passagem discreta pelo São Paulo. Contratado a pedido de Dorival Júnior, o atleta enfrentou o paradoxo de nunca jogar sob o comando do treinador, que saiu do Morumbi para treinar a Selecção Brasileira logo após a chegada do jogador.
Sob a direcção de Thiago Carpini, sucessor de Dorival, Erick ainda foi utilizado com frequência. Contudo, a vinda de Luis Zubeldía travou a sua progressão: sem lugar com o argentino, o avançado virou "suplente dos suplentes". No total, foram 44 jogos e só três golos pelo emblema paulista, levando à sua saída para o Barradão, primeiro por empréstimo.
O reencontro com o bom futebol ocorreu sob o comando de Fábio Carille. Após um 2025 consistente, com oito intervenções directas em golos (três tentos e cinco assistências), o Vitória actuou depressa para impedir que o São Paulo pedisse o seu regresso. O Rubro-Negro desembolsou R$ 7 milhões para comprar 50% dos direitos económicos do atleta — uma manobra financeira que se revelou acertada e que, perante a qualificação histórica na Taça do Brasil, já se compensou em campo.