Corinne Diacre reage à derrota do Marselha diante do Montpellier: "O peso do encontro eclipsou o próprio futebol"
Reviva os momentos principais do encontro
- Qual a sua visão sobre este partida?
- Ainda quente, é complicado porque a frustração é imensa. Em situações assim, melhor ponderar antes de comentar. Estava em causa muito: tanto o lado competitivo como o logístico. Falhamos no desportivo, mas devemos agradecer aos 35 000 apoiantes que nos incentivaram esta noite. Não estamos para celebrar agora. No entanto, a batalha pela permanência continua aberta e vamos resistir.
- Qual era a estratégia para o jogo?
- O plano passava por impor o nosso estilo. Contudo, percebíamos que a intensidade do momento já havia ultrapassado o próprio encontro. Fazíamos treinos no Vélodrome há dois dias e certas atletas pareciam irreconhecíveis. Não fomos capazes esta noite, nem a nível individual nem coletivo. Incluo-me nisso. Creio que as jogadoras tudo deram. Reduzimos para 2-1, mas as correções táticas não bastaram. Poderíamos ter prolongado por mais uma ou duas horas sem achar a fórmula. Quando o aspeto técnico falha, a tensão cresce e o oponente ganha terreno.
- Tess Laplacette mencionou "vergonha". Partilha esse sentimento?
- Há enorme deceção, e por vezes saem palavras mais duras do que o pensado. As atletas sentem-se frustradas, consigo próprias e principalmente com os apoiantes que nos respaldaram até ao apito final. Não achámos as respostas para melhorar. Foi duro liderar pela primeira vez no Vélodrome. Deveríamos ter dominado o estádio, mas fomos dominadas. Assumi perante elas a total responsabilidade pela perda. Precisamos de nos manter coesas, em triunfos ou tropeços.
- Atualizações sobre Bamenga? E as escolhas de excluir Moryl e Khezami?
- Naomi Bamenga teve uma torção severa na clavícula. A junta parece intacta. Havia outras que poderiam ter integrado o plantel, mas optei por decisões claras. Evitei excessos de perfis reativos.
- As atletas anteciparam o jogo antes de começar?
- É natural prever o embate antes de ele ocorrer. Se não houvesse ansiedade perante tanta assistência, seria preocupante. O significado do jogo sobrepujou o futebol esta noite. Isso inibiu-nos. No físico e tático, não vi as minhas atletas habituais. Sem corridas, sem opções para quem bola tem. O passe recuado de Kbida veio da falta de apoio frontal. Persistimos na contenda, restam três partidas, vamos lutar.
- Qual a sua reação ao segundo golo, logo no arranque do segundo tempo?
- Primeira ideia foi notar a repetição. Preciso de analisar melhor isto, achar vias para superar. O mental influenciou bastante. Hoje falhamos. Devemos posicionar-nos para resolver. Jogar para trás expõe-nos. São pontos a aprimorar.
- Por que não revolucionou tudo após o 0-1?
- Não quis virar a táctica de imediato pois confio no projeto e nas atletas. Algumas já mostravam fadiga, logo fiz trocas cedo, desde o 30.º minuto. Teve efeito parcial, sem o impacto pretendido. Estávamos todas no mesmo ânimo. A carga do jogo, a condução em torno dele, talvez sem preparação suficiente. Ainda assim, lição para adiante. Podemos falhar, mas erga-se a cabeça.
- Uma mensagem aos apoiantes?
- Mantiveram-se connosco até final. Sinto deceção pelos fãs, pelo emblema, pela direção. Poderia ter sido uma celebração épica. Mas erga-se a cabeça, agradeço a este público que nos acalmou até ao último instante. Faltou o ânimo extra. Pequenos lapsos impediram a vitória sobre o Montpellier.
- Apesar de tudo, encontrou algum gozo em atuar no Vélodrome?
- Orgulho enorme em estar no Marselha, mas deceção profunda esta noite. Falar em gozo soa excessivo. Saboreei um pouco nos treinos, mas evaporou com aquele golo. Não era o enredo sonhado, apesar de vários cenários. Sobretudo contra um rival também na luta pela estada, difícil recuperar. Ainda controlamos o nosso futuro para assegurar a continuação.
- Razões para as saídas cedo de Le Mouël e Kbida?
- Inès teve problemas para superar o golo que fez. Sente o peso, mas não a culpo. Culpa partilhada. Margaux também me pareceu apagada. Poderia ter mexido mais. Não surtiu efeito, mas foram escolhas.
- Como abordar os derradeiros jogos pela salvação?
- Com o próximo contra o Nantes em três semanas, tomarei tempo para pensar. Preciso de repouso, após uma fase intensa. Buscaremos respostas para preservar este núcleo. Vital para mim, para o clube e pelo projeto futuro.
- Preferia jogar logo após esta queda ou com esta interrupção?
- Enfrentámos o terceiro de um ciclo, bom que pare agora. Hoje há fatores difíceis de ajustar. Quanto mais tempo, pior o rendimento: ante PSG, resistimos a uma potência europeia (perda 2-1), em Le Havre empatámos com esforço (2-2) e este. Por isso, pausa bem-vinda.