Conselho de Arbitragem apoia intervenção do VAR em pontapés de canto
Em sintonia com a posição do International Football Association Board (IFAB), entidade que define as regras do futebol, Luciano Gonçalves opinou que o VAR deve ter um campo de atuação mais amplo do que o atual, que se restringe a golos, penáltis, cartões vermelhos diretos e erros na identificação.
"Devemos reconhecer os avanços realizados para melhorar o protocolo. Já se deu um primeiro passo na sua abertura, tornando mais transparente o funcionamento do VAR, cujo propósito é auxiliar cada vez mais o árbitro. Agora é necessário prosseguir este processo de forma estruturada para que, a curto ou médio prazo, isso se torne realidade em Portugal e também internacionalmente", declarou, à margem da primeira edição do REF Summit, conferência sobre arbitragem que teve lugar entre sábado e domingo, no Porto.
Questionado acerca da possibilidade de novas alterações entrarem em vigor já na próxima época, o líder do CA sublinhou que a decisão "vai além da arbitragem".
"Temos de esperar para perceber qual será a posição da Liga Portuguesa de Futebol Profissional e da FPF. Para já, importa valorizar a abertura de um protocolo que permaneceu fechado durante muitos anos", acrescentou.
O videoárbitro Tiago Martins manifestou-se igualmente a favor da possibilidade de alargar a intervenção do VAR, medida que também foi proposta pelo Sporting em assembleia geral (AG) da Liga, mas alertou para a necessidade de salvaguardar o tempo útil de jogo.
"Tudo o que seja benéfico para trazer mais verdade desportiva sem prejudicar o espetáculo é positivo. A possibilidade de corrigir cantos mal assinalados será boa para o futebol, desde que o videoárbitro consiga intervir rapidamente", referiu o árbitro da Associação de Futebol de Lisboa em declarações à agência Lusa.
Relativamente ao eventual agravamento das multas por "lesão da honra e reputação, injúrias e protestos à equipa de arbitragem", aprovado pelos clubes em AG da Liga, Luciano Gonçalves considerou que se trata de uma oportunidade para proteger o futebol.
"Temos de aproveitar todas as oportunidades para proteger o futebol. Se o caminho passa por sanções mais severas para salvaguardar o jogo, então esse deve ser o percurso seguido por todas as entidades responsáveis. A FPF já deu alguns passos nesse sentido e está à procura de soluções, porque este objetivo não diz respeito apenas aos árbitros, mas à proteção do futebol como um todo", defendeu.
Tiago Martins lembrou que a medida terá ainda de ser ratificada em AG da FPF e considerou que está em sintonia com as posições defendidas pela Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF).
"A APAF já defendeu publicamente um aumento das punições aplicadas aos agentes desportivos quando, através das redes sociais ou de declarações públicas, adotam comportamentos que promovem a violência verbal e prejudicam a credibilidade do futebol", concluiu.