Conceição revela mágoa em relação a Vítor Bruno e confessa: "Preferia ter saído de outra forma do FC Porto"
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Título do FC Porto: "Inventam-se histórias falsas. O título do FC Porto foi conquistado com mérito pela estrutura, pela equipa técnica e pelos jogadores. Eu tive o cuidado de felicitar todos os jogadores que ainda tive a oportunidade de orientar, pessoas que continuam a fazer parte dos diferentes departamentos do FC Porto. E fiquei feliz, sim, pela época que o FC Porto realizou".
Ligação aos adeptos portistas: "Pergunta-me isso por causa de não ter felicitado nas redes sociais? A minha ligação aos adeptos é visceral. Quando o FC Porto venceu o título, achei que, com tanta celebração, os adeptos nem iriam dar importância ao que eu dissesse, porque houve muita festa após o campeonato. E eu sabia que daria esta entrevista e aproveitei esta ocasião para dar os parabéns, sem qualquer dúvida, pelo título extraordinário que alcançaram".
Saída do FC Porto: "A maneira como eu gostava de ter deixado o FC Porto era certamente diferente. Tenho de expressar os meus sentimentos. Mas também não era fácil. Houve um ciclo muito importante na história do FC Porto, que foi o do nosso presidente durante 42 anos, o presidente mais condecorado do mundo e o meu, ao longo de sete anos. Sou o treinador mais vitorioso do FC Porto e não era simples. Hoje compreendo e aceito. E talvez fosse necessário ocorrer essa tal transição.
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"Eu aceito e na altura também aceitei. Não sei se se recordam, mas a 26 de maio, há dois anos, na final da Taça de Portugal, estava o presidente Pinto da Costa, o Pepe ao meu lado e estava o atual presidente do FC Porto, mais atrás, que eu puxei para erguer a taça em conjunto. Naquele instante não sabia se ficava ou não. Tinha assinado um contrato de quatro anos a dois dias das eleições, que foi muito criticado por toda a gente. E posso explicar os motivos que me levaram a assinar um contrato a dois dias".
André Villas-Boas e as relações cortadas com Vítor Bruno
Conversa com André Villas-Boas: "Fui explicar-lhe o porquê. Se estivesse no lugar dele, também talvez não gostasse que um treinador com sete anos de clube, com o meu palmarés, com uma ligação tão forte aos adeptos, se tivesse envolvido (nas eleições). E eu mantive-me sempre afastado, até dois dias antes das eleições. Foi quando fui convidado pelo presidente Jorge Nuno Pinto da Costa para ir ao seu gabinete, onde estava também o Pepe, que tinha renovado, e que se ele fosse reeleito presidente do FC Porto, o Pepe continuaria com ele. Falou de forma muito emotiva sobre a sua doença, explicou-me a estratégia para os próximos anos no FC Porto e eu, por amizade, respeito e gratidão, aceitei.
E foi isso que fui explicar ao André Villas Boas: dizer que, a partir desse momento, o meu contrato ficava sem efeito porque tinha aceitado renovar com o FC Porto com um presidente. Como ele já não era presidente do FC Porto, tinha de respeitar. Eu, se estivesse no lugar de André Villas-Boas, também não teria gostado muito".
Vítor Bruno: "(Reagi) De forma natural. Não, não (tinha falado). Tínhamos estado na noite anterior, a jantar e ele disse que queria seguir o seu caminho como treinador principal e eu achei muito bem".
Traição de Vítor Bruno: "A atitude, alguns consideram deselegante, podemos qualificar como quisermos. Pode ser traiçoeira. Eu acho que isso faz parte do passado. Foi um percurso bonito durante muitos anos e as coisas podiam ter sido feitas de outra maneira. Faz parte do passado. Não guardo rancores".
Relação com André Villas-Boas: "Foi um treinador vencedor, campeão da (Liga) Europa, teve um percurso curto, mas fantástico, como treinador no FC Porto. Agora, como presidente, o primeiro ano não correu bem, por tudo o que foi uma transição muito difícil, e neste momento é um presidente que venceu um campeonato nacional e está de parabéns por isso".
Relação com Vítor Bruno: "Não (nunca mais falei). Não (tenciono)".
"Não penso ser presidente do FC Porto"
Ligação com Pinto da Costa: "O presidente foi uma das pessoas mais importantes na minha vida profissional. Cheguei jovem ao FC Porto, andei emprestado, voltei e tive dois anos maravilhosos e depois regressei numa situação muito complicada do FC Porto onde convivi de forma muito intensa. Vivemos momentos difíceis, de euforia. Tivemos três anos em que o clube estava sob vigilância do fair play financeiro, surgiu a covid-19. Foram sete anos muito complicados, muitas barreiras e obstáculos a ultrapassar. Com persistência e determinação que o presidente tinha fomos superando com distinção, com títulos".
Vontade de ser presidente: "Tem aí uns trunfos na manga... Sinceramente não penso, não tenho um pensamento a longo prazo. Não me passou pela cabeça, honestamente. Vamos ouvindo opiniões, hoje é fácil, com a dimensão das redes sociais. Não pensei nem penso num futuro próximo. Num futuro longínquo? Não sei. Vivo de tal forma intensa e apaixonada, o meu dia a dia, a relação com a profissão é tão intensa e forte, que pensar a médio prazo já me custa, imagine a longo prazo".