Como a chamada de Éderson revela um erro de cálculo de Ancelotti no meio campo da Seleção

Como a chamada de Éderson revela um erro de cálculo de Ancelotti no meio campo da Seleção

Ao convocar Éderson, da Atalanta, o técnico italiano não só colmata uma lacuna física no plantel, como também evidencia uma clara incoerência tática e de processos na Seleção.

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Tudo principia na prancheta e na distribuição de forças do grupo. Confiante no arsenal ofensivo do país do futebol, Ancelotti optou por uma configuração radical: chamou nove atacantes e apenas cinco médios. A conta, pelo que se viu nos treinos e particulares, não bateu.

Sem sustentação, a equipa assistiu ao seu meio campo apresentar debilidades. Perante o problema, o treinador começou a alterar a estrutura da equipa para povoar o sector com mais homens.

O modelo inicial, suportado apenas pelo duo Casemiro e Bruno Guimarães, deixando a equipa exposta e sem transição, começou a ser ligeiramente modificado para a introdução de um terceiro elemento, como Lucas Paquetá, para dar fôlego à construção.

E não se admirem se o treinador utilizar até quatro jogadores no meio campo, uma alteração drástica para quem iniciou o ciclo a desidratar o sector.

Éderson: O "esquecido" que furou a fila

A presença de Éderson na lista atual é o ponto central da contradição. O médio defensivo tem força, forte capacidade de marcação e preenche exatamente o vigor físico que falta ao sector, mas o historial mostra que ele não era uma prioridade absoluta para a atual comissão técnica.

Na era Ancelotti, Éderson foi chamado apenas uma vez, logo na primeira lista do italiano, e nem sequer entrou em campo. Desde então, tornou.se ausência constante.

Os seus minutos reais pela Seleção aconteceram sob o comando de Dorival Júnior entre 2024 e 2025. Foi titular no particular contra o México e esteve em campo contra a Colômbia e a Argentina na Copa América de 2024.

Ao trazê.lo de volta agora, Ancelotti aplica um "choque de meritocracia tardio" que quebra a hierarquia estabelecida. Éderson praticamente furou a fila de nomes como Andrey Santos, do Chelsea, que esteve presente na grande maioria das convocações anteriores.

Embora Andrey tivesse a preferência do técnico, a regularidade de Éderson em Itália, onde somou 41 jogos, 3 golos e 3 assistências como pilar da Atalanta na última temporada, tornou.se impossível de ignorar.

O fator Casemiro e a conexão italiana

Se faltava minutagem com Ancelotti, Éderson compensou com fortes costuras e validações nos bastidores. A comissão técnica recebeu opiniões altamente positivas sobre o comportamento e o encaixe tático do atleta. 

Casemiro, por exemplo, validou.o. Éderson é o virtual favorito para o substituir no próprio Manchester United. Além disso, a diplomacia da Bota pesou. Gian Piero Gasperini, comandante de Éderson em Bérgamo, é um grande conhecido de Carlo Ancelotti. As excelentes referências passadas pelo técnico italiano moldaram a decisão final. 

A convocação de Éderson é justa pelo futebol que apresenta na Europa. No entanto, escancara o pragmatismo reativo de Ancelotti.RestA saber se Éderson será o pilar da estabilidade que o Brasil precisa ou apenas mais um remendo num meio campo que ainda procura a sua identidade.

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