Clube criado por lusodescendentes em Hong Kong poderá ter de pagar 22 ME em rendas

Clube criado por lusodescendentes em Hong Kong poderá ter de pagar 22 ME em rendas
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O Departamento de Cultura, Desporto e Turismo de Hong Kong começou no final de junho a notificar os 15 clubes desportivos privados que devem começar a pagar taxas mais elevadas pelo uso de terrenos públicos a partir do final de 2026.

Até agora, os clubes pagavam rendas subsidiadas ou simbólicas, ao abrigo de acordos assinados ainda durante a era colonial britânica, apesar de ocuparem terrenos públicos e cobrarem mensalidades elevadas aos sócios.

Também o Club de Recreio "vai ter de pagar um prémio para renovar o arrendamento do terreno", que termina este ano, confirmou o tesoureiro, Patrick Rozario.

De acordo com os novos termos, que foram inicialmente anunciados em 2019, os clubes devem pagar um terço do valor de mercado do terreno, explicou o lusodescendente.

Rozario, que é também executivo da empresa de contabilidade Moore, prevê que a taxa será de entre 50 milhões e 200 milhões de dólares de Hong Kong (entre 5,57 e 22,3 milhões de euros) nos próximos 15 anos.

O Club de Recreio irá "trabalhar com os sócios para ver a melhor forma de avançar. Os sócios teriam de suportar este valor. A outra opção seria devolver o clube ao Governo para que este o organizasse como centro comunitário", explicou o tesoureiro.

Nesta alternativa, o clube teria de abrir totalmente as instalações ao público, garantir que 30% das vagas estariam disponíveis a não-sócios e oferecer programas ao público em geral durante pelo menos 240 horas por mês.

Rozario admitiu ser improvável que os sócios escolham devolver o terreno ao Governo, mas sublinhou: "não deixa de ser uma decisão dos membros, não minha".

O clube foi criado em 1906 por macaenses e membros da então numerosa comunidade portuguesa em Xangai, no leste da China, que começaram a chegar a Hong Kong logo após a fundação da então colónia britânica, em 1841.

O Club de Recreio tem atualmente cerca de 700 sócios, disse Rozario, que é também presidente do Club Lusitano, a principal instituição da comunidade lusodescendente em Hong Kong.

Os dois clubes têm "muito poucos membros em comum", sublinhou o dirigente.

Ao contrário do Club Lusitano, que detém o terreno onde a instituição se situa, o Club de Recreio "deixou de ser um clube português, pois o terreno pertence ao Governo e foi aberto a outras nacionalidades" em 1968, explicou Rozario.