Christian Cueva e a aposta do Sport Boys em recuperar o último grande 10 do Peru

Christian Cueva e a aposta do Sport Boys em recuperar o último grande 10 do Peru

Christian Cueva volta a recomeçar. Oito anos depois de se tornar um dos rostos da seleção peruana que quebrou uma seca de 36 anos e disputou o Mundial da Rússia em 2018, o médio de 34 anos vai enfrentar um novo desafio na Liga 1. O Sport Boys oficializou a sua contratação para o Torneio Clausura 2026, numa aposta que pretende mudar o rumo desportivo da equipa do Callao e, ao mesmo tempo, oferecer ao médio uma nova oportunidade para recuperar o protagonismo que em tempos o tornou no maestro da Blanquirroja.

Não se trata de uma contratação qualquer. Cueva continua a ser um dos últimos futebolistas peruanos com experiência em Mundiais ainda em atividade. Na Rússia, em 2018, foi peça fundamental da equipa orientada por Ricardo Gareca, participou nos três jogos da fase de grupos e foi o responsável por ligar o meio-campo ao ataque numa seleção que regressou a um Mundial após mais de três décadas.

Desde então, a sua carreira passou por cenários muito distintos. Houve fases de brilho no estrangeiro, lesões, problemas extra-desportivos e mudanças constantes de clube que impediram que encontrasse a continuidade dos seus melhores anos. No entanto, sempre que recuperou regularidade, voltou a mostrar que mantém qualidades para fazer a diferença.

A sua chegada ao Sport Boys concretiza-se através de um empréstimo até ao final da temporada, depois de deixar temporariamente o Juan Pablo II, clube ao qual pertencia o seu passe. O objetivo é claro: somar minutos, recuperar confiança e tornar-se numa das referências da equipa durante o Clausura.

No Callao acreditam que ainda pode dar muito à equipa. A administração rosada entende que, apesar dos altos e baixos dos últimos anos, Cueva continua a ser um dos futebolistas peruanos com mais talento para desequilibrar nos metros finais. A sua capacidade para filtrar passes, conduzir entre linhas e assumir a responsabilidade nos momentos de maior pressão representa um perfil que escasseia no campeonato nacional.

O desafio é também pessoal. Desde a Rússia, o médio nunca mais voltou a afirmar-se como o jogador determinante que encantou durante as qualificações para esse Mundial. Entre mudanças de clubes e problemas de continuidade, o seu rendimento foi perdendo regularidade. Ainda assim, deixou lampejos que recordaram porque chegou a ser considerado um dos melhores jogadores da América do Sul na sua posição.

O Sport Boys espera que o contexto seja favorável a essa recuperação. O clube enfrenta o Clausura com a intenção de melhorar a campanha realizada no Apertura e apostou em acrescentar experiência a um plantel que já conta com jogadores experientes como Carlos Zambrano e Miguel Trauco, antigos companheiros de Cueva na seleção peruana. Esse reencontro pode facilitar a sua adaptação e devolver-lhe um ambiente familiar dentro do balneário.

Além do aspeto desportivo, a contratação representa também um impacto mediático para o campeonato local. Em pleno mercado de transferências, poucas contratações geram tanta expectativa como a de um mundialista que ainda mantém o sonho de voltar a vestir a camisola da seleção peruana. Embora atualmente não faça parte das convocatórias de Mano Menezes, um bom semestre pode voltar a colocá-lo no radar da equipa técnica.

O próprio treinador brasileiro deixou claro que acompanha de perto a Liga 1 e que nenhum jogador está descartado para o novo ciclo mundialista. Essa possibilidade transforma o Clausura numa montra importante para jogadores que procuram relançar as suas carreiras, e Cueva encaixa perfeitamente nesse grupo.

No Callao sabem que não contratam apenas um médio ofensivo. Recebem também um jogador habituado a cenários de máxima exigência, com experiência em Qualificações, Copas América e um Mundial. A dúvida está em perceber se aquele "Aladino" que fez sonhar um país inteiro ainda pode aparecer com a mesma frequência.

Porque o talento nunca esteve em causa. O que o Sport Boys pretende recuperar é a versão do jogador que em tempos fez o Peru sonhar no caminho para a Rússia 2018. Se o conseguir, o Clausura não terá apenas um dos nomes mais importantes do campeonato, mas também a possibilidade de voltar a ver, ainda que por momentos, o maestro que levou uma geração inteira ao maior palco do futebol mundial.