Carlos Machado massagista acompanha evolução do Moreirense em 500 partidas na Liga Portugal
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Desde o primeiro jogo do emblema de Moreira de Cónegos no principal escalão com a perda em casa frente ao Beira Mar por 21 a 25 de agosto de 2002 até à perda de sábado passado também no Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas contra o SC Braga por 10 o massagista de 66 anos seguiu a equipa médica em todos os jogos do principal campeonato.
Nunca imaginei que participaria em 500 jogos da Liga. Quando ascendemos pela primeira vez pensei que duraríamos um ou dois anos. Antes de subir à Liga o nosso desejo era defrontar um grande na Taça. Ninguém imaginava que chegaríamos à Liga e nos manteríamos lá por tantos anos. Pretendemos prosseguir afirmou à Lusa.
Nascido e criado na vila do concelho de Guimarães em 1959 Carlos Machado iniciou o trabalho no Moreirense em 1984 convidado por Armindo Cunha que seria treinador adjunto dos cónegos de 1996 a 2013 para exercer uma função de que nada conhecia.
Não sabia nada sobre o ofício. Trabalhava numa empresa de têxteis como a maioria das pessoas da região. Laborava das 0600 às 1400 chegava a casa almoçava e ia para Moreira às 1500. Acompanhava os seniores e depois cuidava da formação. Passei vários anos dessa forma recordou ao evocar o período em que a equipa principal do Moreirense disputava a III Divisão nacional.
Responsável pela formação nos anos iniciais de atividade quando as instalações dos cónegos eram modestas e as equipas juvenis treinavam em localidades próximas Carlos Machado passou a trabalhar a tempo inteiro no clube nos anos 90 convidado por Vítor Magalhães atual presidente do clube.
Carlos Machado vê Vítor Magalhães como a personalidade mais importante na história do clube e destaca Manuel Machado como o treinador que mais o impressionou por assumir o Moreirense no terceiro escalão em 200001 conquistar duas promoções consecutivas e orientar a equipa nas duas primeiras épocas no principal nível 200203 e 200304.
O momento mais alegre no clube foi a primeira ascensão à Liga em 200102. Quando Manuel Machado chegou eu comentava que só trazia jovens o Flávio Meireles o Alex todos de Fafe. Não acreditava que alcançaríamos as subidas mas lográvamos. Ele era mestre em futebol. E é uma ótima pessoa recorda.
Com mais de 40 anos de experiência no clube minhoto o massagista presenciou as mudanças nos cuidados aos jogadores desde uma era em que exames eram raros para uma fase atual com avaliações frequentes de um tempo de trabalho manual para o presente onde as máquinas são essenciais.
Embora já não cuide das lesões dos atletas Carlos Machado continua muito procurado para massagens e tratamento dos pés além de ser considerado no balneário uma figura paternal capaz de provocar um sorriso quando os jogadores estão desanimados.
O tratamento dado aos centenas de jogadores do Moreirense com quem interagiu é sempre igual usando termos como filho ou jovem embora guarde o apelido de Tavinho para alguns que aprecia especialmente em campo.
Quando surge um jogador desse calibre atribuo lhe o nome de Tavinho. É o meu Tavinho. Porquê? Há cerca de 30 anos tivemos um miúdo na formação chamado Tavinho. Era de Moreira e jogava lindamente. Anos depois veio o Fábio Espinho e também jogava bem. Disse lhe que lembrava o Tavinho. Ainda hoje uso o nome. Comecei a chamar Tavinho ao Vasco Sousa. Não lhe digo Vasco. Ao Benny que saiu em janeiro também chamava Tavinho relatou admitindo que planeia permanecer no Moreirense o quanto puder.