CAN: Rei de Marrocos concede perdão a adeptos senegaleses detidos

CAN: Rei de Marrocos concede perdão a adeptos senegaleses detidos

"Considerando os laços fraternos históricos entre o reino de Marrocos e a república do Senegal, e por ocasião das celebrações do Aïd al-Adha", marcado para quarta-feira em Marrocos, o soberano "decidiu, por motivos humanitários, conceder o seu indulto real aos adeptos senegaleses", afirma um comunicado do palácio real.

A 18 de janeiro, durante a final da Taça das Nações Africanas (CAN) em Rabate – iniciada em finais de dezembro de 2025 – o Senegal venceu por 1-0 num jogo marcado por confusão.

Após um penálti atribuído a Marrocos nos descontos do segundo tempo, na sequência de um golo anulado ao Senegal, vários jogadores senegaleses abandonaram o campo e os adeptos tentaram invadir o relvado, atirando objetos.

Em fevereiro, o tribunal marroquino condenou 18 senegaleses a penas entre três meses e um ano de prisão, acusados de "actos de vandalismo", incluindo violência contra agentes de segurança. Estes estavam detidos desde a final e mantidos sob custódia em Marrocos.

Em meados de abril, três adeptos foram libertados após cumprirem a pena de três meses. O perdão concedido no sábado abrange os 15 restantes. A medida "evidencia a solidez dos laços de amizade, fraternidade e cooperação" entre os dois países, sublinha o comunicado.

Me Patrick Kabou, advogado de vários detidos, afirmou à AFP que a libertação deverá ocorrer ainda esta noite.

"Os nossos compatriotas detidos em Marrocos após os incidentes na CAN estão livres. Brevemente reunir-se-ão com as suas famílias", escreveu no X o presidente senegalês Bassirou Diomaye Faye, agradecendo a Mohammed VI pela "decisão compassiva e humana".

As acusações basearam-se em imagens do estádio Moulay-Abdellah e relatórios médicos dos feridos, segundo o Ministério Público marroquino, que quantificou os prejuízos materiais em mais de 370.000 euros.

Em fevereiro, durante visita oficial a Rabate, o então primeiro-ministro senegalês Ousmane Sonko (que deixou o cargo na sexta-feira) lamentou que "a situação tenha atingido este ponto" entre "dois países tradicionalmente aliados".

O monarca marroquino, por seu lado, deplorou os "acontecimentos lamentáveis e comportamentos inaceitáveis" ocorridos durante a final, mas assegurou que "a fraternidade africana acabará por prevalecer".

No final de janeiro, a Confederação Africana de Futebol (CAF) aplicou sanções disciplinares às federações de ambos os países por conduta antidesportiva. Em março, o comité de recurso da CAF retirou o título ao Senegal, atribuindo-o a Marrocos. O Senegal apresentou recurso ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAS).

Dacar e Rabat mantêm relações de cooperação em áreas como turismo, energia, educação, infraestruturas e transportes. Partilham também fortes ligações religiosas.

Segundo o Alto Comissariado para o Planeamento (HCP), os senegaleses representam 18,4% da população estrangeira residente em Marrocos.