Boavista surpreendido com leilão do Estádio do Bessa vai tentar travar a venda
Num comunicado dirigido na segunda-feira aos adeptos do Boavista, o presidente Rui Garrido Pereira expressou surpresa perante o anúncio do arranque do leilão do Estádio do Bessa, destacando que isso ocorre justamente quando se preparavam "soluções práticas" para salvar a instituição, que está agora em processo de liquidação.
O assunto foi discutido há pouco numa reunião do Conselho Geral do clube portuense, onde a direção obteve apoio total dos membros.
A direção admite que, com o clube em liquidação, a venda de bens não é inerentemente inválida. Contudo, enfatiza que isso requer o término completo do procedimento, e compromete-se a fazer o possível para impedir tal resultado.
"É essencial esclarecer: com o Boavista Futebol Clube em fase de liquidação, a venda de bens não é por si ilegítima. Todavia, para que ocorra, o processo deve ir até ao fim, e é isso mesmo que esta direção se esforçará por impedir", afirmou.
O presidente do Boavista pediu a união dos sócios, num período de inquietação crescente entre os fãs devido ao risco de perder um dos principais patrimónios do clube, descrevendo a situação como crucial para o destino da entidade.
"Não é a primeira ocasião em que, em fases críticas, aparecem ações que enfraquecem o percurso de salvação que construímos, incluindo a posse do Estádio do Bessa Séc. XXI. Apesar disso, permanecemos resolutos, concentrados e decididos", concluiu.
A resposta da direção surge em meio a uma contestação que aumenta, com a claque Panteras Negras a declarar que recorrerá à justiça para bloquear a venda forçada dos bens do clube, abrangendo o Estádio do Bessa e o centro desportivo vizinho.
O leilão está marcado para a semana seguinte, com preço inicial de 38 milhões de euros (ME), no âmbito da insolvência do Boavista, que regista dívidas acima de 150 ME.
A claque visa anular o processo e pausar a transferência de bens, considerando o panorama como um "fim devastador".
Numa nota subscrita pelo chefe dos Panteras Negras, Nuno Fonseca, há acusações à direção por "imobilismo" e por adotar uma "tática autodestrutiva", ao prosseguir a insolvência sem garantir antes um plano de ressurgimento.
O grupo dirigido por Nuno Fonseca garante que "não tolerará ver o clube desaparecer sem reação" e que isto "não se resume a uma disputa legal, mas a uma peleja pela existência".
O Boavista, vencedor do campeonato nacional em 2000/01, concluiu 11 anos seguidos na Liga com uma despromoção em 2025. Presentemente, a SAD, sob Fary Faye, está no fundo da tabela da AF Porto, atuando no Parque Desportivo de Ramalde.
O clube inscreveu-se na derradeira divisão distrital, mas renunciou à participação em outubro de 2025 por solidariedade com as obrigações da SAD e restrições da FIFA.
Previsendo o declínio do clube, o responsável dos Panteras Negras, o mais influente coletivo de fãs do Boavista criado em 1984, estabeleceu o Panteras Negras Footballers Club em 2025.