Boavista SAD vai apresentar novo plano de recuperação em tribunal para evitar liquidação
No documento, o administrador de insolvência da SAD, Reinaldo Mâncio da Costa, revela a decisão de reduzir ao “mínimo indispensável” a atividade desportiva da sociedade liderada pelo senegalês Fary Faye, que vai apostar na equipa de sub19 para a temporada 2026/27, e comprometeu-se a submeter um novo plano até 15 de junho.
Segundo a mesma fonte, o administrador considera que esta solução garante uma continuidade mínima da atividade da SAD, numa altura marcada pela complexidade do processo de recuperação financeira.
Na tentativa de travar a liquidação da Boavista SAD, o administrador espera obter a aprovação do plano até 31 de julho, período em que devem começar as negociações com os principais credores da sociedade.
“Uma leitura do requerimento sugere também uma aparente proximidade de articulação entre os administradores de insolvência da SAD e do clube, circunstância que poderá refletir uma evolução no relacionamento institucional entre as duas entidades”, afirmou a fonte, recordando que a reaproximação entre as partes é considerada importante por vários intervenientes no processo para a estabilidade futura dos axadrezados.
A 12 de maio, o tribunal decretou a liquidação da sociedade depois de o administrador de insolvência ter optado por não submeter o plano de recuperação a votação, devido à probabilidade de rejeição pelos credores.
Na altura, uma fonte da Boavista SAD admitiu à Lusa que a entrada de novos investidores empenhados na recuperação axadrezada poderia reverter a decisão até 31 de maio e afirmou que o acionista maioritário, o hispano-luxemburguês Gérard Lopez, mantinha interesse na salvação das panteras, cujas equipas principais e de sub19 já terminaram a época.
“Tem sido por intervenção direta do administrador de insolvência da SAD, enquanto controlador financeiro do processo, que o investidor Gérard Lopez tem assegurado donativos mensais superiores a 50.000 euros destinados à manutenção das atividades do clube”, destacou a fonte, sem descurar a expectativa de que seja encontrada uma “solução de recuperação sustentável, após vários meses de instabilidade institucional”.
A liquidação da SAD ocorreu quase em simultâneo com a rejeição pelo tribunal do pedido de impugnação do leilão do Estádio do Bessa e do complexo desportivo do Boavista, ambos localizados no Porto e avaliados por um valor base global de 37,9 milhões de euros (ME).
O tribunal decidiu manter o leilão, que termina a 09 de junho, mas exigiu alterações no procedimento da hasta pública, que decorre no âmbito do processo de insolvência do Boavista, cuja liquidação foi aprovada em setembro de 2025, após a acumulação de dívidas superiores a 150 ME.
A Boavista SAD foi despromovida à Liga 2 em maio de 2025, depois de cumprir 11 épocas seguidas no escalão principal, sendo um dos cinco campeões nacionais da história, devido ao título conquistado em 2000/01.
Os problemas financeiros viriam, depois, a impedir o licenciamento das panteras para as provas organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) e pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), deixando-as sem equipa profissional no verão, enquanto eram relegadas por via administrativa para o escalão principal da associação do Porto.
A Boavista SAD jogou em 2025/26 na condição de anfitriã no Parque Desportivo de Ramalde, a 2,5 quilómetros do Estádio do Bessa, inutilizado há um ano, e foi despromovida à segunda divisão distrital a seis jornadas do fim, tendo cinco impedimentos de inscrição de novos futebolistas junto da FIFA.
Essas restrições já tinham vigorado em anos anteriores e reapareceram em 2025, travando a utilização dos reforços oficializados no verão e forçando a sociedade a alinhar com jogadores da equipa de sub19 axadrezada, que se manteve na II Divisão nacional do escalão e deve continuar a competir em 2026/27.