Bastoni investigado por prostituição de menores: defesa não vai comparecer no interrogatório
Não haverá um frente a frente com os procuradores. Alessandro Bastoni não comparecerá ao interrogatório marcado pelo Ministério Público de Milão para sexta-feira. Assim o confirmou o seu advogado, Salvatore Scuto, que explicou que o defesa do Inter e da seleção italiana, investigado por prostituição de menores, vai exercer o seu direito de não responder.
Uma decisão que, talvez, também procure evitar um interrogatório "às cegas", sem ainda ter tido a oportunidade de analisar os documentos da investigação e conhecer em detalhe os elementos reunidos pelo Ministério Público.
Esta quinta-feira, num gabinete do Ministério Público, prestaram depoimento como pessoas informadas dos factos Daniel Maldini e Kevin Bonifazi, estando prevista para sexta-feira a declaração de Riccardo Calafiori. Nenhum dos três está a ser investigado.
No caso de Bastoni, o Ministério Público atribui-lhe um episódio de julho de 2020. Segundo a acusação, terá chegado a um acordo com Alessio Salamone, relações públicas da Ma.De Milano, para organizar um encontro com uma rapariga que, na altura, tinha 17 anos e oito meses, com quem alegadamente manteve relações sexuais em troca de um pagamento tanto pelo serviço como pela organização do encontro.
De acordo com os investigadores, as conversas entre Bastoni e Salamone também sustentariam esta versão. Num dos chats, o relações públicas escreve ao futebolista: "Acho que a menor gosta de ti (...). Pergunta-me o que pensa de mim Alessandro". Bastoni pergunta-lhe: "Hoje estava animada?", recebendo como resposta: "Acho que quer divertir-se mas hoje estava tranquila".
Depois da noite, às 3:47, Salamone envia outra mensagem ao defesa: "Por favor... (nome da rapariga), amigo. Por favor". Logo de seguida contacta a jovem: "Qualquer problema escreve-me. Tudo bem?". A resposta chega cerca de meia hora depois: "Sim, sim, tudo ok. Estou em casa (do Bastoni), durmo aqui".
Versões rejeitadas
A jovem, que prestou depoimento nos últimos dias como testemunha, rejeitou esta versão, afirmando: "Não sou prostituta, não me prostituí com Bastoni e não recebi dinheiro". Também Scuto negou "categoricamente" que o seu cliente tenha tido relações pagas, "muito menos com menores".
A investigação do Ministério Público de Milão centra-se na "Ma.De Milano", uma empresa de eventos que, segundo os investigadores, terá organizado festas "tudo incluído" para clientes VIP, especialmente futebolistas da Serie A, em espaços noturnos milaneses e hotéis de luxo. Em abril, as investigações levaram a quatro detenções domiciliárias e ao congelamento de mais de 1,2 milhões de euros considerados lucros ilícitos. Estão em prisão domiciliária Deborah Ronchi, proprietária da Ma.De Milano, o seu companheiro Emanuele Buttini e os sócios Alessio Salamone e Amilton Luan Fraga Luz.
Segundo a reconstrução do Ministério Público, Ronchi e Buttini teriam dirigido a organização, enquanto Salamone e Fraga Luz ficariam responsáveis pelo recrutamento das raparigas, pelas relações com os clientes e pela logística das festas. Para os investigadores, não se tratava de simples eventos sociais: a empresa geria a reserva de mesas nos espaços mais exclusivos, os hotéis, os transportes e a receção das raparigas, algumas das quais, segundo a acusação, teriam sido destinadas à prostituição com clientes selecionados.
A investigação, coordenada pela procuradora Rosaria Stagnaro e pela procuradora-adjunta Bruna Albertini, prossegue com a análise dos dispositivos apreendidos e os depoimentos das testemunhas.