Associação de adeptos acusa FIFA por valores elevados dos bilhetes do Mundial

Associação de adeptos acusa FIFA por valores elevados dos bilhetes do Mundial

Em parceria com a Euroconsumers, entidade que protege os direitos dos consumidores, a FSE submeteu uma queixa formal à Comissão Europeia contra a FIFA, alegando que esta "abusa da sua posição monopolista", conforme indicado pela associação num comunicado.

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Em dezembro, a associação de adeptos já tinha instado a FIFA a "lançar uma consulta" para descobrir "uma solução que honre a tradição, a universalidade e o impacto cultural do Mundial", que ocorrerá de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, México e Canadá.

A FSE alega que os preços para a final de 19 de julho, em Nova Jersey (Estados Unidos), superam amplamente os da edição anterior, no Catar-2022.

Os bilhetes mais acessíveis para a final valem US$ 4.185 (R$ 21.898), de acordo com os reclamantes, "sete vezes mais" do que o cobrado no Mundial de 2022.

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Em comparação, esclarece a FSE, os bilhetes mais baratos para a final do Eurocopa 2024 custavam 95 euros (cerca de US$ 100 ou R$ 523). As duas organizações questionam a FIFA sob a ótica do direito europeu da concorrência.

"A FIFA detém um monopólio na comercialização de bilhetes para o Mundial de 2026 e explora esse poder para impor aos adeptos condições que nunca seriam toleradas num mercado competitivo", declaram.

"Os próprios documentos de candidatura da FIFA previam um preço médio de bilhete de US$ 1.408 (R$ 7.360), mas esse valor foi largamente ultrapassado", criticou a FSE.

De acordo com a FIFA, perto de sete milhões de bilhetes foram disponibilizados. Cada adepto pode adquirir até quatro bilhetes por jogo e um máximo de 40 para o torneio inteiro.

O primeiro Mundial expandido para 48 seleções contará com 104 jogos no total e os preços subiram consideravelmente para os encontros de maior procura.

Preço dinâmico

A FSE denunciou que a candidatura da América do Norte tinha prometido inicialmente bilhetes a partir de US$ 21 (R$ 109), mas, na realidade, os mais baratos à venda custam US$ 60 (R$ 314), como por exemplo para o primeiro jogo do Grupo J entre Áustria e Jordânia, no Levi's Stadium, na Califórnia.

A maioria dos bilhetes vale pelo menos US$ 200 (R$ 1046) para os jogos com as principais seleções.

Alguns bilhetes para a final na plataforma oficial de revenda da FIFA são anunciados a valores exorbitantes: um lugar de categoria três para a decisão foi posto à venda por US$ 143.750 (R$ 752.000), mais de 41 vezes o seu preço original de US$ 3.450 (R$ 18.000).

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, mantém que os preços dos bilhetes resultam apenas da imensa procura: "Nos Estados Unidos, em especial, aplica-se o que se chama de "preços dinâmicos", ou seja, os valores sobem ou descem conforme o interesse dos adeptos", defendeu.

Para a FSE, o issue dos "preços dinâmicos" reside na ausência de limite para o aumento dos valores. A associação critica a "falta de clareza sobre a forma como os preços são estabelecidos".

A FSE e a Euroconsumers solicitam à Comissão Europeia que obrigue a FIFA a abandonar os "preços dinâmicos", a fixar os preços nos níveis divulgados em dezembro para a próxima fase de venda em abril e a divulgar, "com pelo menos 48 horas de antecedência", o número de bilhetes disponíveis em cada categoria.

Segundo a FSE e a Euroconsumers, as regras de venda são "opacas", pois "a localização dos lugares, os diagramas dos estádios e até as seleções que vão jogar não estão assegurados no momento da compra".

O mercado de revenda não é regulado nos Estados Unidos e no Canadá. No México, a revenda de um bilhete acima do seu valor facial é proibida, mas só quando o bilhete é adquirido no México com a moeda local.