Análise: O que o Barcelona perde com a ausência de Raphinha
Durante abril, o conjunto catalão enfrenta um tríplice embate com o Atlético de Madrid: pela LaLiga, logo após o intervalo, no sábado 4; e pela Liga dos Campeões, o jogo de ida das meias finais ocorre a 8, e o de volta a 14. Entre esses, surge ainda o derby local contra o Espanyol em 11 de abril, além de os catalães receberem o Celta de Vigo no fim de semana 22 e viajarem ao campo do Getafe em 26 de abril.
Caso as coisas corram favoravelmente, Raphinha poderá regressar para o jogo em Alicante ou para a partida inicial de uma possível semifinal da Liga dos Campeões, apesar de algumas estimativas indicarem cinco semanas de ausência e até o eliminarem dessa etapa. Em todo o caso, para lá chegar, urge derrotar o Atlético de Madrid sem o internacional brasileiro, e na última vez que se cruzaram sem a sua presença... foi no jogo de ida das meias finais da Taça do Rei no estádio Metropolitano. Um encontro que acabou em 4 a 0 para os colchoneros.
Cinco das sete derrotas ocorreram sem Raphinha
De forma objetiva, os desempenhos mais fracos do Barcelona nesta temporada aconteceram sem Raphinha. Sem o número 11 em campo, os catalães acumularam cinco das sete derrotas em competições oficiais ao longo do ano. Em setembro, diante do Oviedo, sofreu uma lesão no bíceps femoral e permaneceu fora dos eleitos por cerca de dois meses. Um fase difícil em que os blaugranas caíram perante o PSG por 1 a 2, o Sevilha por 4 a 2 e o Real Madrid por 2 a 1, para além de um empate caótico com o Club Brugge em 3 a 3.
Tratou se de um Barcelona visivelmente mais vulnerável na retaguarda, com uma pressão desestruturada e sem a ferocidade ou o equilíbrio que Raphinha proporciona, um elemento que já exibiu qualidades de líder tanto na posse da bola como fora dela. Ao retornar, jogou alguns minutos contra o Athletic Bilbao e outros no revés em Stamford Bridge frente ao Chelsea, mas logo que recuperou o lugar de base, tornou se fundamental novamente. Bisou dez golos e concedeu três passes para golo em 12 partidas como titular antes de uma fadiga em fevereiro que o deixou afastado por algumas semanas. No intervalo, é fato, perdeu o jogo contra a Real Sociedad.
Seguiu se o 4 a 0 do Atleti e, no seu primeiro regresso, a única derrota do Barça com Raphinha de início, perante o Girona. A partir daí, os catalães permaneciam invictos, e nos derradeiros três jogos, Raphinha facturou um poker de golos ao Sevilha e um duplo registo de golos e assistências contra o Newcastle. Diante do Rayo Vallecano, antes da interrupção, alinhou como titular e acertou no ferro na etapa inicial.
Contraste gritante inclusive na defesa
Em Boston, após uma deslocação desnecessariamente prolongada, Raphinha atirou se ao gramado para impedir Mbappé e sentiu um desconforto. Mais uma vez o bíceps femoral. O jornal Marca mencionava que, em Barcelona, a insatisfação não recai tanto no atleta ou em Carlo Ancelotti, mas antes na FIFA e no calendário internacional fatídico. Perder Raphinha significa abdicar do segundo melhor finalizador da turma com 19 golos, atrás de Lamine Yamal com 21, o terceiro em contribuições ofensivas com 26, o que mais vezes abriu o marcador com 6 e o terceiro em dribles completos com 49.
Hansi Flick vê se privado de um dos seus líderes, sem o seu fiável fornecedor de intensidade. Como já mencionámos, os indicadores defensivos também pioram sem ele. Nas 15 partidas em que faltou, o Barcelona encassou 27 golos. Isto é, uma média de 1,8 por partida. Ademais, apenas preservou a rede intacta na Taça contra o Guadalajara e no 3 a 0 ao Mallorca. Com Raphinha presente, a média cai para 0,71, com 22 golos sofridos em 31 jogos em que atuou. Nessas partidas, os catalães concluíram 14 vezes sem conceder golos. Um fosso enorme com o qual Hansi Flick lida na fase mais crítica da temporada.