Estudo: As razões que levaram o Hamburgo a apostar em Gronbaek

Estudo: As razões que levaram o Hamburgo a apostar em Gronbaek

Há cerca de um ano e meio, o futuro de Albert Gronbaek parecia risonho. Depois de se destacar na Liga Europa ao serviço do Bodo/Glimt, com exibições de grande qualidade, conseguiu uma transferência milionária e promissora de 15 milhões de euros para o Stade Rennais, da Ligue 1.

Simultaneamente, estreou-se pela seleção principal da Dinamarca, onde foi eleito o Melhor em Campo no seu primeiro jogo, frente à Suíça (2-0), em setembro de 2024. Nesse mesmo mês, ainda marcou um soberbo remate de primeira, ajudando a sua equipa a vencer por 2-0 em casa diante da Sérvia, num encontro determinante para a qualificação para o Europeu.

Mas depois surgiram dificuldades para o jogador de 23 anos. Em novembro, o argentino Jorge Sampaoli assumiu o comando técnico do Rennes e implementou um esquema tático mais rígido e simples, que entrou em conflito direto com as principais valências de Gronbaek enquanto médio ofensivo.

Gronbaek foi afastado do plantel e, no mercado de inverno de 2024/25, foi emprestado ao Southampton, da Inglaterra, onde somou poucos minutos e não conseguiu impor-se.

Os problemas continuaram no Génova, onde esteve na primeira metade da época 2025/26. Fez apenas quatro jogos como suplente na Serie A, ficando preso num impasse até que o seu vínculo foi finalmente rescindido.

Depois de garantir um empréstimo ao HSV, que relançou a sua carreira no final de janeiro, sofreu uma lesão na coxa durante um treino, adiando a sua aguardada estreia na Bundesliga por várias semanas.

A partir daí, porém, Gronbaek parece ter dado vários passos na direção correta para reerguer a sua carreira e assegurar um contrato definitivo de quatro anos com o HSV. Depois da promoção, a equipa terminou na 13.ª posição da Bundesliga na época transata.

A atitude notável de Gronbaek, em especial, conquistou os alemães, conforme revela o especialista do HSV Stefan Walther, do Hamburger Abendblatt.

"O treinador (Merlin Polzin), na primavera, perguntou-lhe se conseguia ocupar a posição de ala esquerdo (já que Miro Muheim estava lesionado). Esperava que Gronbaek recusasse, porque nunca havia jogado ali e restavam-lhe apenas alguns meses para causar boa impressão. Portanto, se não correspondesse, nenhum outro clube se interessaria pela sua contratação. Mas, para surpresa geral, aceitou."

"As pessoas no clube ficaram muito surpreendidas com a sua vontade de vencer, e Polzin impressionou-se com as suas capacidades como ala. Defendeu de forma muito agressiva e também ajudou bastante o HSV na fase de transição, assumindo o papel de médio ofensivo quando a equipa tem a posse da bola," afirma Walther ao Flashscore.

Walther sublinha que Gronbaek no HSV é uma combinação perfeita, tanto para o atleta como para o clube.

"Gronbaek encaixa na perfeição no HSV porque, ao contrário de qualquer outro jogador, pode atuar em qualquer posição da equipa. É um grande luxo para o HSV ter um jogador assim, capaz de entrar se surgir algum problema em qualquer setor", acrescenta Walther, que não vê necessariamente Gronbaek como uma escolha evidente para o onze inicial.

"Não o vejo como titular neste grupo, mas considero-o um jogador muito importante. Olho para ele como o 12.º elemento, capaz de responder a qualquer desafio que possa surgir. Tem estado muito bem como ala esquerdo e, quando avança no terreno, combinou muito bem com Sambi Lokonga e Fábio Vieira no meio-campo ofensivo."

Walther afirma estar curioso para ver o que acontecerá após o Mundial, altura em que as funções de Gronbaek poderão alterar-se.

"Muheim tem apenas mais um ano de contrato e esteve lesionado na primavera. Ao mesmo tempo, há muitas dúvidas sobre se o HSV conseguirá chegar a acordo com o Arsenal pela transferência de Vieira (que esteve emprestado). Caso esses jogadores saiam do HSV, é provável que Gronbaek venha a substituir qualquer um deles", conclui Walther.