Análise: Inter de Milão afirma se como a equipa mais forte da Serie A

Análise: Inter de Milão afirma se como a equipa mais forte da Serie A

O jogo realizado no domingo à noite, coincidindo com a Páscoa, teve um andamento quase sempre dominado por um lado. Não foi tanto pelo decorrer da partida, pois os giallorossi equilibraram as forças contra os nerazzurri nos instantes iniciais e ao longo do primeiro tempo, mas sim pelo placar final. O Inter ganhou por 5-2, e a margem poderia ter sido ainda mais ampla.

A formação local abriu o marcador logo no início, antes mesmo de completar um minuto, com um tento de Lautaro Martinez, passado por Marcus Thuram, que penetrou na área sem dificuldades. Foi excessivamente fácil, deixando Lautaro chutar livre de marcação graças à vigilância pouco rigorosa de Zeki Celik. A Roma igualou em 1-1 através de uma ação bem elaborada pelo flanco, com participação de Matias Soulé, Devyn Rensch e Luca Mancini, que finalizou de cabeça para a rede de Yan Sommer.

Naquele instante, a Roma parecia no comando e até com potencial para triunfar. No entanto, depois de uma perda de bola infeliz de Bryan Cristante, o conjunto recuou em lugar de capitalizar o momento, e Hakan Çalhanoglu fez um golo memorável. De aproximadamente 35 metros, o jogador turco soltou um tiro que só repousou no fundo da baliza, aproveitando também a posição avançada de Mile Svilar, que possivelmente não antecipou tal ousadia.

Inter reforça posição de favorito

O colapso real da Roma veio após o intervalo, quando o Inter tomou total posse do jogo. Inicialmente, Lautaro Martínez repetiu o golo, celebrando seu retorno após demorada paragem, e em seguida Thuram facturou num lance de bola parada, um revés crucial no cenário. Tudo ocorreu em curtos minutos. Dos 52 aos 55 minutos, a Roma sofreu dois golos, e pouco mais de nove minutos depois cedeu o quinto, marcado por Nicolo Barella.

O placar pesou e talvez tenha sido desproporcional ao que ocorreu em campo, mas o futebol funciona assim, punindo até os lapsos menores. Pelo lado da Roma, o derradeiro a lutar foi Lorenzo Pellegrini, que acertou com um chute do esquerdo de fora da área e ainda arriscou num pontapé de marcação, embora o jogo acabasse em 5-2. Ele representa o espírito da equipa e repetiu essa essência, como de costume.

Com esta vitória, o Inter distanciou se nitidamente dos rivais, ajudado pela queda do AC Milan ante o Nápoles, e agora surge como forte candidato ao Scudetto. Não está garantido matematicamente, mas com sete rondas restantes, a liderança é notável. Conquistas tão convincentes contra formações do nível da Roma tornam árduo para os concorrentes acompanharem o passo.

Roma enfrenta dificuldades para o top quatro

Quanto à Roma, a disputa pelo quarto posto tornou se agora muito árdua. Os giallorossi ficam abaixo do Como e da Juventus, e o apuramento para a Liga dos Campeões deixa de depender só dos seus méritos. Os proprietários, a família Friedkin, indicaram que visam reestruturar o cerne da formação, o que se notou após a partida, mesmo em conversas reservadas. Não é novidade esses indícios.

Várias vezes, a direção recorreu a medidas de popularidade para contentar os fãs. Gasperini entende, porém, que o futebol obedece a outras dinâmicas e que o êxito provém de uma trajetória mais consistente. As mudanças radicais podem emancipar povos e países, integram a narrativa histórica, mas nada têm a ver com o gramado.

O técnico defendeu novamente o grupo central da equipa, em especial Pellegrini, Mancini e Cristante, ainda que juntá los assim ignore nuances, já que cada situação varia, principalmente a do número 7, que prossegue a legar a história do emblema com golos e passes decisivos.

Gasperini sublinhou que o conjunto requer reforços, não desmonte, vendo qualquer transformação extrema como insanidade, e acerta em cheio. Restam sete jornadas, com 21 pontos em jogo. Por mais desafiador que surja, a Roma ainda pode alcançar a meta e assegurar o lugar na Liga dos Campeões. Para tanto, precisará superar as questões internas, forjar coesão para o sprint final da temporada e apostar em Gian Piero Gasperini, o profissional que, acima de todos, domina a arte de erguer projetos vitoriosos, conforme mostrou em Bérgamo.