Análise: A reviravolta de Calafiori, preterido por Mourinho e agora na final da Liga dos Campeões

Análise: A reviravolta de Calafiori, preterido por Mourinho e agora na final da Liga dos Campeões

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"Vou poder içar a nossa bandeira e tentar vencer o troféu no ano em que não nos qualificámos para o Mundial. As finais da Champions costumava jogá-las na Playstation com o meu melhor amigo, Nicolò Cesaroni, que estará no estádio a ver-me". Foi assim que, numa entrevista ao jornal La Repubblica, Riccardo Calafiori descreveu o seu estado de espírito. Afinal, o que vai suceder este fim de semana, na Hungria, tem o sabor de um sonho tornado realidade.

Décimo segundo jogador de campo mais utilizado por Mikel Arteta na época 2025/26, que se encerrará com a final da Liga dos Campeões entre o seu Arsenal e o PSG, o defesa foi um dos titulares na presente temporada dos Gunners, na qual, em todas as competições, somou cerca de 33 presenças, com 1 golo marcado no campeonato e duas assistências na Premier League.

Na Liga dos Campeões, por sua vez, o jogador nascido em 2002 disputou seis jogos no total, tendo contribuído ainda com uma assistência para o 2-1 de Madueke frente ao Bayern, num jogo da fase de liga onde a sua equipa se revelou uma das mais virtuosas do continente. Contudo, o que mais impressiona na sua prestação na prova continental é a percentagem de passes completos de 91,67%, a par de 22 bolas recuperadas e nove desarmes bem-sucedidos.

Tendo Daniele De Rossi como ídolo, como já recordou várias vezes, Calafiori construiu uma carreira atípica enquanto lateral-esquerdo. Ou melhor, poderíamos considerá-la moderna, pois é frequentemente utilizado também como defesa central 'híbrido', com liberdade para construir e progredir com bola controlada. Esta é uma das características que mais agrada ao seu treinador, que viu como, no início da época, ele conquistava a distinção de 'Jogador do Mês' da sua equipa.

Revelado no Basileia na temporada 2002/03, o canhoto encontrou a sua redenção depois de ter sido afastado precisamente daquela Roma onde se formou, na sequência da derrota por 6-1 frente ao Bodo/Glimt na Liga Conferência. Nessa altura, foi José Mourinho quem não o considerou à altura do nível da equipa. Agora, após um ano de sonho no Bolonha, é o único jogador italiano na final da Champions e vive o seu momento de maior felicidade.

Muito elegante e dotado de uma notável capacidade para quebrar linhas em condução, Calafiori vai muito além do physique du role de defesa central, considerando os 1,90 metros e 86 quilos que o caracterizam. Mais eficaz nas zonas interiores do relvado do que nas exteriores, pode ser uma mais-valia mesmo entrando a meio do jogo para Arteta.

E, mesmo não sendo titular, será o único representante italiano no relvado da Puskas Arena na noite mais importante da Europa. Aumentando o arrependimento por o ter deixado sair demasiado cedo de uma Serie A que continua a perder qualidade e jogadores de destaque.