Alberto Costa: "O meu jogador preferido era o Guarín, era assim meio parecido comigo"
Sensação de andar no elétrico? "Uma sensação mais turística. Já conhecia o Porto, mas não a fundo, pois sou de Santo Tirso, porém agora que vivo mais perto, percebo que não o conhecia por completo."
Ideia que tinha do Porto e que agora mudou: "É exatamente esta área da zona, como a Foz e os Aliados. Quando era criança, fui ao Parque da Cidade para jogar futebol ou estar num espaço amplo. Depois, nunca fui ao centro comercial no centro, pelo menos que me lembre."
Tempos livres: "Para vir à cidade, é mais para restaurantes, para jantar ou almoçar. Caso contrário, prefiro ficar na minha área. Tenho uma zona com passadiço para passear o cão e dar uma volta com a minha namorada. Lanchar... e o dia passa muito bem assim."
E em casa? "Em casa... agora ando mais virado para jogos de tabuleiro. Quando tenho tempo. Jogo com ela (namorada) ou com amigos. Agora aproveito e quero jogar esses jogos."
Um jogo de tabuleiro é quase como um jogo de futebol: "Eu não diria isso, acho que não ligo tanto. Quando era mais novo, jogava muito PlayStation e gostava porque era tempo para passar com amigos. Estávamos em chamada e jogávamos a tarde toda. Agora é mais difícil arranjar tempo. Nos jogos de tabuleiro, quando dá para jogar, é mais simples. Não precisa de estar num jogo online. Às vezes, com o Moura, jogávamos xadrez, uma partida no telemóvel enquanto íamos para o hotel."
Primeiras memórias que tem do FC Porto a partir de Santo Tirso: "As primeiras são de ir ao café com o meu avô. Íamos a pé, subíamos a rua e víamos os jogos ali com ele. Lembro-me de flashes quando era pequeno, chegar a casa... às vezes passava em canal aberto, via na cozinha. Depois, a partir de certa altura, com o meu padrasto, que considero pai, tenho mais recordações e comecei a ver mais. Lembro-me quando ganhámos a Taça de Portugal ao Vitória SC. Estava em casa dos tios, foi um grande jogo e recordo bem."
Como apareceu o futebol: "É muito graças ao meu pai de coração. Porque na altura estava só com a minha mãe, ela não conseguia... jogava só na escola e às vezes uns toques com o avô. Mas quando apareceu o meu pai, inscreveu-me numa escolinha, o Robordões, e estive lá dois anos, mas era futsal. Depois fui para o Tirsense."
Desenvolvimento no Tirsense: "Do que me lembro, era muito bom. Fiz boas amizades e recordo que só queria jogar à bola, esperava pelo fim de semana para jogar. Não tenho mais recordações específicas."
Referências no futebol nessa altura: "Por acaso, o meu jogador preferido era o Guarín. Não sei, do que me lembro, era meio parecido comigo. Quando estava no Tirsense, ainda criança... o treinador perguntou que nome queríamos na camisola e eu disse 'F. Guarín'. Mas à noite o treinador ligou ao meu pai e ele disse que não, para pôr 'Alberto'. Eu só soube no dia seguinte no treino. Disse que não deu para meter (risos). Senão era 'F. Guarín' na camisola."
Na formação já se destacava em termos físicos? "Por acaso não. Só a partir dos 16 anos. Até aos 13 ou 14, fui sempre igual, mas aos 14 fiquei muito para trás no desenvolvimento. Demorei em relação aos colegas e depois aos 16 dei um salto grande. Tive esses dois anos complicados."
Como foi para o Vitória SC? "Lembro-me de sair do treino do Tirsense à noite e disseram-me, na altura acho que era por fax, que o Vitória tinha pedido para ir fazer testes, treinos com outros miúdos. E desse primeiro treino, correu bem. Fui com um colega do Tirsense e ficámos os dois."
Como foi a adaptação no Vitória SC? "No primeiro ano, era só eu e esse colega do Tirsense e dividíamos. Passado um ou dois anos, outro colega de Santo Tirso juntou-se a nós, que jogava no Paços de Ferreira, e já éramos três a dividir, o que facilitou. Mesmo assim, os meus pais sacrificaram-se porque a minha irmã nasceu nessa altura, tinha meses, e levavam-me aos treinos, esperavam que acabasse e voltávamos. E estudar."
Conciliar estudos com futebol: "Lembro-me que os meus planos de estudo eram sair da escola à uma, estudar das três às cinco, sempre assim. Quando tinha aulas à tarde, não dava, fazia os trabalhos de casa. Eram os meus horários."
Sempre foi o sonho ser jogador de futebol? "Sinceramente, o foco sempre foi ser jogador de futebol. Às vezes perguntavam 'e se não fores, tens plano B?'. Dizia 'professor de Educação Física', mas era resposta para disfarçar. Na verdade, não me imaginava noutra coisa e o foco era o futebol."