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Mourinho: "Fui convidado pelo SC Braga e o meu pai avisou-me 'tem juízo'"

Mourinho: "Fui convidado pelo SC Braga e o meu pai avisou-me 'tem juízo'"

Carreira: "O meu pai, durante a minha carreira, quando começou a notar que eu tinha potencial para avançar, passou a ser mais um observador e confiou toda a responsabilidade a mim, mas houve um momento particular em que ele partilhou uma opinião. Ele raramente dava conselhos e, quando o fazia, era sempre direto. Eu estava no Barcelona quando recebi o convite do SC Braga. Era o primeiro em que um clube me propunha o cargo de treinador principal. Senti o impulso imediato e ele disse-me: 'Tem juízo'. E acrescentou: 'Hoje é o SC Braga, amanhã pode ser o Vitória SC, o Belenenses, o Marítimo, algum deles será o primeiro, mas no Barcelona, como adjunto, a trabalhar com jogadores de topo, tem juízo, a tua oportunidade chegará".

Eusébio: "Conheci o Eusébio. Tive a honra de ser, não direi amigo próximo, mas sentia que ele nutria grande carinho por mim. Olhava para mim com uma admiração notável. Os nossos aniversários diferiam apenas por um dia e, desde criança, não sei como o meu pai o conseguia, mas houve uma fase em que eu recebia sempre um presente do Eusébio. Tinha uma camisola autografada dele, um postal com a Bota de Ouro, tudo assinado por ele. Eles mantinham uma boa relação e houve um tempo em que o meu pai promovia esse contacto entre mim e o Eusébio. Mais tarde, reencontrei-o na Luz, na primeira Taça Eusébio, após o jogo, e impulsivamente pedi a taça ao Massimo Moratti para mim. Guardo a Taça em casa. Já mencionei no Benfica que, se a Dona Flora, uma das filhas ou netas, desejar muito ter a primeira Taça Eusébio, eu oferecerei. Até agora, ninguém reclamou e a primeira Taça Eusébio permanece na minha casa".

Influência do pai: "Era um líder excecional, com uma serenidade impressionante, e um controlo emocional de elite. Há um aspeto dele que adotei e mantenho: após o jogo, não é o momento ideal para conversar com os jogadores ou manifestar emoções, quer positivas quer negativas. É raro verem-me agitado no balneário depois de um encontro, ou a chutar portas. Ao intervalo, sim. No fim, não. No fim, nada se pode alterar. Isso herdei do meu pai. A honestidade, compreendi cedo que os jogadores valorizavam imenso. E essa dualidade de pai afetuoso e autoritário funciona, desde que aplicada no timing certo. Honestidade em primeiro lugar".

Final da carreira do pai: "Recordo quando ele resolveu abandonar o futebol. Não me lembro do jogo exato do adeus, mas planeava terminar no fim da temporada. Numa segunda-feira, veio buscar-me à escola e disse: 'Vou parar de jogar'. Perguntei o porquê. 'Porque o golo que sofreram comigo ontem era o primeiro em um ou dois anos'. Acabou ali. Chegou ao Belenenses e indicou que passaria a treinar e desceria de primeiro para terceiro guarda-redes. 'Se for preciso entrar como suplente, preparo-me até ao fim da época, mas a minha carreira termina aqui'. Depois, recordo que teve de entrar como suplente num jogo contra o Montijo, mas na minha mente, quando foi convocado, pensei que jogaria. Convenci-me disso e, ao vê-lo no banco, foi quando aceitei que realmente tinha terminado".