Reportagem: Jamor celebra em ambiente tranquilo com alguns adeptos sportinguistas "divididos"

Reportagem: Jamor celebra em ambiente tranquilo com alguns adeptos sportinguistas "divididos"

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Com apenas cinco anos, o pequeno Rafael, que ficou tímido ao perceber que estava a ser entrevistado, revelou-se o líder de um grupo de adeptos que viajou da Malveira para apoiar o Sporting, atual detentor do troféu.

Vestido com as cores do clube, subiu aos ombros de um amigo e, após cantar hinos de apoio, ensaiou um grito de golo, antecipando uma vitória por 1-0.

Mais adiante, ocupado com 30 quilos de carne e seis grades de cerveja, outro adepto mostrava-se ainda mais confiante e previa uma vitória por 2-0.

“Até pode ser o guarda-redes a marcar, mas sendo realista, acredito mais no Suárez e no Trincão”, afirmou, admitindo já ter estado no Jamor mais de dez vezes com o Sporting, mas que hoje aceitaria um resultado menos favorável: “Se o Torreense ganhar, tudo bem, somos todos da região Oeste, mas se fosse contra o Benfica ou FC Porto ficaria mais aborrecido”.

Acrescentou ainda não se preocupar com possíveis saídas de jogadores, pois “os que vierem serão sempre melhores”.

Desde cedo, a festa do clube da Liga 2 decorreu num ambiente animado, ao som de músicas que recordavam o Carnaval, uma das tradições da região.

A irmã de Unai Pérez, guarda-redes do Torreense, viajou de Bilbau com um grupo de 30 pessoas e regressará na segunda-feira, na esperança de ver o irmão levantar o troféu.

“Ainda não falei com ele hoje porque está concentrado, mas o ambiente é incrível. Que seja um grande dia e que o Torreense vença”, partilhou, revelando ser a primeira vez que assiste a um jogo desta dimensão.

O dia é especial para os adeptos do Torreense, alguns dos quais podem orgulhar-se de ver a equipa na final pela segunda vez.

Viriato Martins tinha sete anos na última final do clube, em 1955/56, e mostrava-se contido nas previsões.

“Lembro-me do jogo, mas a festa não era como hoje. Sou do Sporting e do Torreense, mas nunca celebro golos. Nem em Alvalade. É difícil, mas as surpresas acontecem. Prefiro a Taça à subida, porque o Torreense não está preparado”, analisou.

Durante a manhã, as imediações do estádio já estavam repletas de adeptos de ambos os clubes.

Junto a uma carrinha decorada, Simão Silva, antigo jogador do Torreense, recordava a última visita ao Jamor.

“Sou do Benfica, mas como o Torreense melhorou, passei a apoiar mais na segunda metade da época. Vai ser difícil, mas há hipóteses. Estamos confiantes, mas acredito que acabará 3-1, com o Dany Jean a marcar”, afirmou.

Quanto à importância da final, destacou que prefere a subida de divisão, a decidir frente ao Casa Pia.

Poucos metros adiante, Ricardo partilhava: “Este é um momento único para o Torreense e vão ganhar 1-0. É arrepiante. Costumo vir quando o Sporting joga, mas este ano é especial. Nem sei quem quero que vença”.

“E amanhã é feriado”, festejou, usando adereços de ambos os clubes.

Um amigo acrescentou: “A Taça é importante, mas a subida é mais para o clube e a cidade. Todos precisamos disto. Este é o ano do Torreense”.

Alguns adeptos também preferiam uma surpresa na Taça à subida à I Liga.

“Sou sportinguista há 48 anos e do Torreense há 70, mas hoje quero que o Torreense vença 1-0. Desportivamente, é um dos dias mais felizes da minha vida”, afirmou Paulo Duarte.

O Sporting, atual campeão, e o Torreense, que nunca venceu a Taça, defrontam-se este domingo, às 17:15, no Estádio Nacional, em Oeiras, na 86.ª final, com arbitragem de António Nobre.