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Luís Godinho alerta: "É só uma questão de tempo até ocorrer uma tragédia"

Luís Godinho alerta: "É só uma questão de tempo até ocorrer uma tragédia"

Numa partilha nas redes sociais, Luís Godinho referiu os três incidentes de agressão a árbitros, "num ambiente destinado à formação, ao respeito e à educação", e solicitou que os líderes políticos, as instituições competentes e os dirigentes do futebol português implementem ações concretas.

"Não chega fingir revolta nem lançar declarações sem substância", enfatizou.

O texto integral de Luís Godinho:

"UM SILÊNCIO QUE ENSURDECE.

O que se passou neste fim de semana nos campeonatos regionais vai para além do lamentável, é uma vergonha. Algo revoltante. Completamente inaceitável.

Três árbitros mais vítimas de agressões.

Três situações de violência num local que devia priorizar formação, respeito e educação.

• Em Lagoa, um atleta atinge o árbitro com um soco.

• Em Ponte de Frielas, durante um encontro de sub-11, um técnico dá uma cabeçada num árbitro.

• Em Vieira do Minho, um espectador entra em campo e agride o árbitro.

Estes não são eventos isolados.

Trata-se de um padrão recorrente.

Semana após semana, surgem agressões, intimidações e atitudes brutais nos relvados de Portugal.

E a resposta?

Silêncio absoluto.

Falta de ação.

Desinteresse total.

Onde se encontram os decisores políticos?

Onde estão as organizações responsáveis?

Onde andam os responsáveis pelo futebol português?

Onde surgem as iniciativas reais?

Onde estão as sanções efetivas?

Não serve de nada simular indignação.

Não adianta divulgar notas sem conteúdo.

Urge intervir.

Urge penalizar.

Urge salvaguardar.

A falta de presença policial, sobretudo no futebol jovem, está a fomentar um cenário arriscado:

• Sem controlo, alastra a impunidade

• Com impunidade, perpetua-se o mau comportamento

• Com repetição, a violência torna-se normal

E é neste ponto que a situação agrava-se:

Estamos a banalizar a violência no desporto.

Hoje foi um árbitro.

Demais poderia ser um atleta.

Um técnico.

Um espetador.

Ou algo pior, uma criança.

Se persistir a inércia, resta aguardar o inevitável, uma tragédia iminente.

Quando isso suceder, as palavras não bastarão.

Nem as justificativas absolverão quem tinha o dever e a capacidade de atuar.

O futebol em Portugal merece mais.

Os seus intervenientes merecem consideração.

E as crianças precisam de um meio onde o desporto transmita princípios positivos, não agressividade.

CHEGA, CHEGA, CHEGA!".