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Frederico Varandas acusa clube de atitude deplorável nos últimos cinco meses

Frederico Varandas acusa clube de atitude deplorável nos últimos cinco meses

"Gostaria de agradecer a pronta disponibilidade da senhora Ministra em nos receber tão rapidamente. Presentes estavam também o Presidente da Federação de Andebol e o senhor Comissário de Estado. A conversa foi bem mais ampla do que apenas o incidente no andebol. O Sporting considerou essencial dialogar com o topo da estrutura desportiva", iniciou Frederico Varandas ao falar com os jornalistas.

"Desde novembro, ou seja há cinco meses, ocorreram diversos incidentes que sujam o desporto e a sua reputação. Vários casos foram citados. Uma das motivações para esta reunião foi apelar às autoridades superiores. Abaixo existem presidentes de federações e de ligas. No futebol, o Sporting mantém-se sereno pois apoiou os dois presidentes nas suas candidaturas eleitorais. Contudo, assumir a presidência destas entidades implica responsabilidades. Não se pode visar apenas agradar aos três grandes clubes. Essa tem sido a tradição de evitar confrontos com os maiores", prosseguiu o presidente do Sporting.

"Esses episódios, recordando os que mencionei, são para mim gravíssimos. O mais recente é ainda pior por envolver a integridade física e a saúde das pessoas, mas tratam-no como se fossem meros problemas no sector do turismo. Refiro-me ao caso do árbitro Fábio Veríssimo, ao sumiço das bolas após golo do FC Porto para impedir reposição veloz, ao furto das toalhas, à instalação de colunas sonoras durante o jogo do Sporting no Dragão, onde os nossos adeptos sofreram ruído constante para silenciar os cânticos, o que os perturbava. E agora este caso do andebol. De facto, desde novembro, noto um silêncio absoluto. Absoluto. E divertiu-me que, a caminho daqui, parecesse haver uma rivalidade entre FC Porto e Sporting. Não existe tal discórdia. O Sporting não tem qualquer problema com outro clube. Existe um clube com um padrão de comportamento nos últimos cinco meses, uma postura desportiva para a qual não encontro palavras sem recorrer a... deplorável. E acho engraçado como igualam tudo ao mesmo nível. 'Ah, ninguém comenta'. O Presidente da Federação, silêncio. Da Liga, silêncio. Atenção, são indivíduos honestos. Sei disso. Mas defender valores significa combater práticas que atentam contra a ética e a lisura das competições", denunciou Frederico Varandas.

"Roubar toalhas, ocultar bolas ou montar armadilhas na televisão não faz parte do futebol. Boa parte da comunicação social apresenta isto como uma briga entre dois clubes no mesmo patamar. Não é assim. O Sporting responde, tenho de responder.Preferia não ter de me pronunciar. Não desejava falar. Mas se o presidente do Sporting se cala, quem o fará? Se não for o presidente do Sporting, quem vai denunciar e censurar estas condutas?", interrogou o líder dos leões, passando depois ao que se discutiu na reunião desta quarta-feira.

"Apelámos à senhora Ministra para que converse com os presidentes das federações. Eu adorava harmonizar com todos, adorava. Mas uma das obrigações é evidente, basta olhar para o exemplo vizinho. Em Espanha, os presidentes de Liga e Federação são firmes. Aqui, não, evita-se mexer nos grandes. Faz-se de conta que nada ocorre e prosseguimos desta forma", replicou, referindo-se em seguida ao dérbi no Estádio do Dragão, o segundo jogo das meias-finais da Taça de Portugal.

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"O ocorrido foi excessivamente sério. Já sabemos que tudo se baseou em fabricações, em mentiras totais. O treinador de andebol do Sporting simulou. O Moga também. A delegada, senhora Rosa Pontes, visitou o balneário e solicitou cuidados médicos, recebendo assistência. No entanto, ela também mentiu. Um dos vossos colegas, creio do Record, após sugestão do FC Porto, inspecionou o balneário onde se encontrava a equipa do Sporting e detetou um odor perturbador que causava tosse e desconforto", afirmou Frederico Varandas, inquirido sobre a sua reação aos eventos no jogo de andebol no Dragão Arena.

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"Eu encontrava-me em Lisboa quando o telemóvel começou a vibrar com chamadas a informar que a equipa recusava jogar devido ao que se passava. Inacreditável. A federação afirmou que as condições estavam garantidas, o Sporting competiu sob protesto. Tenho aqui algumas notas para vos auxiliar a questionar o presidente do FC Porto quando ele sair do edifício", declarou o presidente do Sporting.

Os cinco incidentes específicos

Frederico Varandas indicou que forneceu um documento com cinco interrogações para Margarida Balseiro Lopes dirigir a André Villas-Boas.

"Compareci aqui a propósito de cinco incidentes precisos. O caso de Fábio Veríssimo. Questiono porque a posição oficial do FC Porto ao Conselho de Disciplina alegou um erro, dizendo que aquelas imagens destinavam-se ao balneário técnico. Desejo que façam esta pergunta ao presidente do FC Porto. Se os técnicos do FC Porto, ao intervalo de um FC Porto-SC Braga, analisam lances do Fábio Veríssimo num jogo de escalões de formação. Gostaria de saber a resposta. Porque este foi o anúncio do FC Porto. Um jogo de formação. Tudo o que consta aqui não provém do Sporting. São declarações do Fábio Veríssimo, as vossas sobre o caso dos apanha-bolas. E questiono igualmente o presidente do FC Porto: já passaram dois meses desde o jogo no Dragão, mas o que comenta sobre os apanha-bolas? Eu ainda não escutei nada. Vocês também não. Outra questão: duas toalhas do guarda-redes Rui Silva foram levadas por apanha-bolas. Também pretendo esclarecer, e vocês deviam indagar, o que aconteceu. Quarta questão: o FC Porto justificou as colunas junto aos adeptos do Sporting como decorrentes de uma manutenção técnica pontual no estádio. Indago se o presidente do FC Porto pode explicar que manutenção foi essa que coincidiu com o jogo FC Porto-Sporting. Última questão para o presidente do FC Porto. E entreguei esta folha à senhora Ministra. Para auxiliar na resolução deste assunto. A derradeira era indagar se o treinador Ricardo Costa, o atleta Moga, a delegada da Federação de Andebol e o repórter do Record, estas quatro figuras, inventaram toda esta narrativa", inquiriu Frederico Varandas.

"O que mais nos distingue não é vencer ou perder, nem as cores verde e branca. É a maneira de viver. Recentemente, ouvi a declaração do treinador Farioli, que me pareceu a mais precisa que ele já proferiu. 'Não basta invocar a ética para a praticarmos no topo'. E subscrevo isso a cem por cento. Sem reservas. Todos falamos. Todos. O essencial são os atos e as ações. No derradeiro jogo em Alvalade, quando o Sporting vencia por 1-0, a equipa do senhor Farioli dispunha de todas as bolas. O guarda-redes Diogo Costa, quando necessário, tinha as suas toalhas disponíveis. Os adeptos do FC Porto não foram incomodados por colunas sonoras. O árbitro não foi alvo de vídeos de jogos de formação. E como o senhor Farioli afirma, e eu concordo, os atos valem mais do que as palavras. E quem age ao contrário do que proclama demonstra falta de ética e de cultura desportiva", complementou o líder do emblema de Alvalade, que foi ainda questionado sobre as palavras de Paulo Bento, ex-treinador do Sporting, o qual opinou que a introdução do VAR beneficiou o clube leonino.

"Beneficiou imenso, beneficiou imenso, beneficiou imenso. Desde que opere corretamente. E não seja inativado em certos recintos. Mas o que pretendo esclarecer, destacando o que nos divide, há um abismo entre mim e o atual presidente do FC Porto. Contudo, partilhamos algo: ambos somos presidentes e tomamos inúmeras decisões diárias. Estou certo de que muitas das minhas são acertadas, outras medianas e algumas equivocadas. Mas nestes oito anos de mandato aprendi uma coisa: ao regressar a casa, sinto a consciência limpa por não ter traído os princípios do Sporting, nem desonrado os seus associados. E algo ainda mais vital: não envergonhei quem educo em casa", replicou Frederico Varandas, que encerrou com uma resposta sobre a possível saída de Hjulmand de Alvalade no verão: "Não comentarei isso. Após o que expus aqui, não abordarei transferências".

André Villas-Boas e o diretor-geral das modalidades do FC Porto, Mário Santos, serão igualmente recebidos por Margarida Balseiro e Pedro Dias, Secretário de Estado do Desporto, esta quarta-feira.

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O Ministério Público, recorde-se, abriu na terça-feira um processo de investigação para apurar os factos, após a queixa dos leões sobre uma intoxicação no balneário, que resultou na assistência a Ricardo Costa, treinador, e Christian Moga, pivô da equipa de andebol do Sporting, no local.