Feminino Franny Černá e Sparta Praga buscam final histórica na Taça da Europa
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Vocês estão a só 90 minutos de uma final da Taça da Europa, algo incrível. Como se sente ao estar assim tão próximo de uma final europeia?
É algo muito empolgante, embora também traga algum stress. Percebe-se que estamos perto de algo grandioso na história e ansiamos por participar dessa final. Andamos entre a animação e o reconhecimento da importância deste encontro. O essencial é focar em nós e no nosso estilo de jogo. Mantendo a serenidade e sem nos intimidarmos pelo que está em causa, creio que faremos um bom jogo e poderemos forçar um tempo extra para atingir o nosso fim.
Enfrentam o Hammarby, um clube com tradição, na Suécia, para tentar virar o resultado após a perda por 2 a 3 na primeira partida. Como se preparam para o segundo jogo?
Reconhecemos que o Hammarby é uma equipa poderosa com um passado rico. Contudo, na nossa jornada na Taça da Europa, lográramos vitórias importantes longe de casa. Frequentemente o jogo inicial serve para sondar o oponente, e é no seguinte que revelamos a nossa essência. No geral estamos todas satisfeitas connosco próprias. É uma conquista notável, mas parece que já alcançámos bastante. Qualquer que seja o desfecho já fomos longe e há muito orgulho no que fizemos.
Preparam alguma surpresa para o segundo embate?
Boa questão essa. No primeiro jogo notámos que o início foi mais cauteloso, mas na segunda parte melhorámos ao compreender melhor o rival. Sem dúvida teremos surpresas no segundo jogo, mas não vou adiantar quais. O nosso técnico é excelente a lidar com estas eliminatórias a duas mãos. Ele compreende que não se revela tudo na primeira partida e que o decisivo são os 180 minutos totais. No jogo de volta tudo pode acontecer.
Como tem vivido esta primeira edição da Taça da Europa Feminina?
É uma prova cativante. Já joguei na Liga das Campeões, mas o patamar às vezes é excessivo. Diante de formações como Lyon ou Arsenal passamos o tempo a recuar. A Taça da Europa é perfeita pois permite jogar futebol e progredir. Serve como instrumento valioso para o crescimento do futebol feminino a nível global e local. Atrair estes jogos para o nosso país pode despertar atenções para o nosso desporto e aumentar o interesse pelo futebol das mulheres.
O que representaria para si e para o Sparta chegar à final?
Seria tudo. Nenhum outro emblema checo chegou a uma final europeia, logo seria um marco histórico. Mas como mencionei estar nesta etapa já é uma motivação e orgulho imensos.
Há alguma jogadora jovem do Sparta Praga que valha a pena seguir?
A nossa formação é jovem e cheia de talento. Uma das mais destacadas agora é Denisa Rancova. Teve exibições brilhantes e facturou golos decisivos. Mas francamente convém observar todas pois o grupo todo tem qualidade.
Mudou do Slavia para o Sparta apesar da rivalidade na cidade. A escolha resultou bem?
Sempre há reacções ao trocar de clube. Na República Checa é mais directo pois só há dois grandes; as pessoas aceitam que se quer variar não há alternativas. Alguns fãs reagiram mal no princípio mas agora está tudo tranquilo. Sinto-me muito contente e adaptada aqui.
Criou se na Califórnia e jogou na universidade em Chicago. Como essa vivência nos EUA a influenciou?
Ajuda me bastante. Na universidade eu duvidava se tinha capacidade para ser profissional. Essa fase convenceu me a prosseguir. Do futebol americano levei a intensidade contínua, a persistência e a obrigação de manter a forma física. Essa atitude de não render e dar tudo é o que aporto aqui. Às vezes difere do que vejo nas checas criando um equilíbrio positivo.
Porquê escolher a República Checa para a carreira?
Os meus pais nasceram aqui e a família toda reside cá. Queria viver num lugar com a língua e as gentes conhecidas. Pensei que seria passageiro mas sinto me tão à vontade que fiquei para sempre.
Considera que o êxito do Sparta indica progresso no futebol feminino checo?
Com certeza. Para nações pequenas é duro destacar se no panorama mundial. A nossa equipa nacional tem bons desempenhos mas nem sempre bastam para chamar atenções. Um clube checo assim avançado vai fazer outros países notarem a qualidade das nossas atletas. Além disso gera agitação local. Se captarmos o interesse do público e investimentos e motivarmos as miúdas a jogar só há benefícios. O campeonato interno também sobe de nível com as duas líderes muito equilibradas.
Uma palavra final sobre as qualificações para o Mundial. Estão segundas no grupo atrás do País de Gales. Confiantes na presença?
Percebemos que o caminho é longo e árduo. O País de Gales é sólido e precisamos de os superar para qualificar nos. Mas para irmos ao Mundial temos de vencer estes duelos contra bons adversários. É essa a nossa filosofia: esforçar se mais para mostrar que pertenecemos lá. Se lá chegarmos é merecido. Se não for assim temos de trabalhar mais.