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Comentário: A Favor de Mais Iniciativas como a do Torreense

Comentário: A Favor de Mais Iniciativas como a do Torreense

17 de maio de 2025: Taça de Portugal

7 de setembro de 2025: Supertaça 

28 de março de 2026: Taça da Liga

Os derradeiros dez meses do Torreense constituem evidência clara de que os objectivos podem alcançar a escala que desejarmos atribuir lhes. O símbolo de Torres Vedras, que entrou no futebol feminino na época 2018/19, expandiu se e obteve três troféus neste breve lapso, conferindo realidade a um esforço conduzido de maneira impecável por Gonçalo Nunes.

Sem a organização de um dos supostos gigantes de Lisboa, o pentacampeão Benfica e o próximo Sporting, nem o impacto do plano do SC Braga, o Torreense tem enfrentado várias dificuldades. Inicialmente, o facto de se encontrar distante do Estádio Manuel Marques e de viajar com o seu lar às costas nesta época actual. No entanto, progrediu de forma consistente, ano a ano, até se estabelecer presentemente como uma das referências chave no contexto nacional.

Reconhecimento para uma organização que demonstrou a coragem de considerar o seu programa feminino não meramente como uma conformidade com as directrizes das instâncias que governam o futebol em Portugal, mas como um genuíno pilar de elevação do emblema e da própria disciplina. Reconhecimento para a escolha precisa em Gonçalo Nunes, um técnico disciplinado e dedicado, apto a forjar uma identidade sólida e um sentido de união em Torres Vedras. E reconhecimento, obviamente, para as atletas, que representam o aspecto mais proeminente desta evolução.

Num período de acentuado avanço no futebol executado por mulheres, com M maiúsculo devido às lutas que prosseguem a defrontar todos os dias contra a disparidade, porém onde ainda vigoram iniciativas débeis e mal fundamentadas, o Torreense merece ser encarado como um modelo.

O modelo de que os meios podem não ser paritários, mas que, no terreno de jogo, a coordenação, a determinação e a dedicação podem equilibrar desigualdades e, em diversas situações, transcendê las.

Existe um elemento que auxilia a contextualizar a magnitude desta conquista: num mero período de dez meses, o Torreense alcançou três troféus, equivalentes aos que o Sporting acumulou nos derradeiros cinco anos. Um confronto que revela bastante sobre a consolidação e a aspiração do plano de Torres Vedras, mas que igualmente suscita interrogações quanto à trajectória de um emblema que se candidata anualmente à contenda pelo campeonato nacional e à própria rivalidade doméstica.

Feitas as contas, se na liga o Benfica mantém se num nível superior, nas competições de eliminação a narrativa recente tem sido bem distinta e tem sido registada com distinção pelo Torreense.

Menção Especial

Todos os louvores ao Torreense são merecidos, mas há uma referência que se impõe ao Valadares Gaia, o outro concorrente desta versão da Taça da Liga. O clube do norte tem no futebol feminino o seu estandarte primordial e constitui, ele próprio, uma iniciativa que enobrece sobremaneira a disciplina em Portugal.

Uma entidade que investe de modo persistente no potencial local e que descobriu nesta aparição na final do Estádio do Fontelo um aplauso mais que justificado pelo labor realizado nos anos transactos. No momento do triunfo do Torreense, prestemos tributo aos derrotados.

Por mais Torreenses e por mais Valadares no futebol feminino. É de iniciativas deste calibre, rigorosas e perduráveis, e desta tenacidade de vencedores que a disciplina necessita. E necessita igualmente de maior apreciação. Essa cabe a todos.