Do entusiasmo inicial às incertezas: Endrick procura resgatar o fulgor no Lyon
Contudo, as suas recentes exibições apagadas ao serviço do Lyon motivaram o seu treinador, Paulo Fonseca, a dirigir-lhe um aviso rigoroso.
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"Não fico satisfeito com o Endrick. Ele confessou que se sentia algo cansado depois da viagem aos Estados Unidos com a Seleção Brasileira. Não vim para castigar os jogadores, mas espero mais de alguém que devia ser uma mais-valia para a formação. Precisamos dele", declarou o técnico português na sexta-feira, numa conferência de imprensa antes do encontro deste domingo (12) frente ao Lorient.
"O Endrick tem de se mostrar mais disponível. Foi bem vigiado no jogo diante do Angers, mas limitou-se à sua área de influência", acrescentou, em referência ao seu avançado, que conta apenas 19 anos.
Entrada avassaladora
Depois de um arranque fulminante, com cinco golos e duas assistências nas suas primeiras cinco partidas, o instinto goleador do brasileiro evaporou, tal como o da equipa. Ele só facturou um golo nos últimos dois meses, no empate a 1-1 num jogo da Liga Europa, fora de casa, frente ao Celta de Vigo, a 12 de março.
A interrogação que surge é se ele está a pagar o custo pela escassez de minutos no Real Madrid. "Acho que sim. Jogar de três em três dias é um fardo elevado para o Endrick, mas, por agora, não temos alternativas e precisamos dele", reconheceu Fonseca.
Transferido do Palmeiras para o colosso da capital espanhola em dezembro de 2022 por 60 milhões de euros (cerca de R$ 352 milhões na cotação atual) - quando contava apenas 16 anos -, ele só se integrou no emblema espanhol após atingir a maioridade, em 2024.
Em Espanha, Endrick não granjeou a confiança dos seus dois treinadores no Real Madrid: Carlo Ancelotti e o seu sucessor, Xabi Alonso. Para além disso, esteve afastado de 21 de maio a 14 de setembro de 2024 por causa de uma lesão.
Antes de rumar ao Lyon, Endrick tinha disputado escassos 99 minutos, repartidos por três jogos, nesta época.
Na sua crónica semanal para o jornal regional Le Progrès, o antigo jogador do Lyon e da seleção francesa Sidney Govou já tinha lançado um alerta: "Ninguém tem currículo suficiente para saber do que ele é capaz, embora ele deva ser um bom elemento. Mas cuidado: quando um suplente raramente joga, muitas vezes é porque existe algum problema".
Metas pessoais
"Ele terá metas pessoais que podem não coincidir com as ambições colectivas da equipa. É isso que me inquieta", complementou Govou.
Para Endrick, assinar pelo Lyon tinha um propósito evidente: acumular minutos para edificar uma base sólida com vista a uma chamada para a Seleção (pela qual disputou 15 jogos e marcou 3 golos), de olhos postos na luta pela Taça do Mundo nos Estados Unidos, Canadá e México (de 11 de junho a 19 de julho).
No entanto, o seu lugar no plantel de Ancelotti ainda não está assegurado. Na última paragem para jogos internacionais, ele não actuou contra a França e jogou apenas 14 minutos frente à Croácia, embora tenha provocado um penálti e oferecido uma assistência na vitória do Brasil por 3-1.
"Ele é individualista. Não tenho a certeza se ele possui o perfil para potenciar o melhor dos seus colegas de equipa. Ele quer marcar a todo o custo", escreveu Govou em janeiro, quando Endrick estava no Lyon há pouco mais de um mês.
Embora seja um 9, no Lyon ele joga como extremo direito, posição em que o seu futebol pode revelar-se demasiado previsível, facilitando assim a tarefa aos defesas contrários.
Faltando cinco jornadas para o fim do campeonato, o Lyon desceu da terceira para a sexta posição, após uma série de seis jogos sem vencer na Ligue 1, e nove contando todas as provas.
Ainda que a chegada de Endrick tenha, sem dúvida, impulsionado a venda de camisolas e a visibilidade mediática do clube, é agora no relvado que se espera que o jogador responda, num momento em que o Lyon batalha para assegurar um lugar nas competições europeias... e o avançado luta pela sua presença na Taça do Mundo.