Análise do Grupo E: Corinthians entre inovação e legado na Taça Libertadores
O jogo frente ao Platense, esta quinta-feira (9), às 21h, trará várias surpresas para o Timão, ainda antes de a bola entrar em jogo. Começando pela primeira motivação de Fernando Diniz, que chegou afirmando que, quem sabe, os seus 17 anos como treinador foram um treino para alcançar “um clube desta envergadura”. Será igualmente a estreia do Alvinegro no Estádio Ciudad de Vicente López, na zona norte da Grande Buenos Aires. O local pode acomodar até 28.530 adeptos.
Veja a tabela integral da Libertadores
O centenário Platense, após ter marcado época ao conquistar o campeonato argentino em 2025 (no país vizinho, realizam-se dois campeonatos nacionais por ano), inicia a sua primeira participação na Libertadores num momento de forma descendente. Os donos da casa procuram impedir o sétimo encontro seguido sem vitória.
O Corinthians, olhando apenas para o Brasileirão, não triunfa há sete partidas. A formação de Vicente López ocupa o 10.º lugar no grupo A da edição actual do Campeonato Argentino, com 15 clubes. Tem 15 pontos em 12 jogos e um saldo de golos de menos 1.
Os anfitriões têm tido problemas no sector ofensivo nos últimos tempos, pois não facturam há 277 minutos, em todas as provas. A última vez que acertaram na baliza foi ante o Newell's Old Boys, num jogo da Liga Profesional Argentina, em março.
Nos derradeiros seis jogos em todas as competições, o Platense empatou quatro e perdeu dois. Marcou somente um golo e concedeu quatro nesse período, sem conseguir adiantar-se em nenhuma dessas partidas. Todos os seus golos surgiram na segunda parte, ao passo que os oponentes marcaram duas vezes nos primeiros 45 minutos. O ex-médio Killy González, que como atleta conquistou a medalha de ouro com a Argentina nos Jogos Olímpicos de 2004, é o treinador actual do Platense e enfrenta um desafio considerável.
Quanto ao Corinthians, empatou três e perdeu três nos seus últimos seis jogos. Nesse lapso, fez três golos e sofreu oito, adiantando-se em apenas uma das seis partidas. A maioria dos seus golos (dois) saiu no primeiro tempo, enquanto os adversários marcaram cinco vezes antes do intervalo.
Colombianos em declínio
Depois do dérbi no Brasileirão, o segundo jogo alvinegro na Libertadores será em casa, contra o Santa Fé, de Bogotá. A altitude de 2.640 metros da capital colombiana fica reservada para a segunda volta da fase de grupos.
Perante os seus adeptos, o que conta é o calibre do opositor. Nesta semana que assinala o arranque da Libertadores, a equipa comandada pelo uruguaio Pablo Repetto, treinador experiente no futebol sul-americano, figura no 13.º posto do seu campeonato nacional, com 20 equipas.
Existe uma diferença de 15 pontos entre o Santa Fé e o líder Atlético Nacional. Entre os nomes salientes no ataque, destaca-se o veterano Hugo Rodallega, de 40 anos, o mesmo que, entre 2021 e 2022, jogou pelo Bahia, no Brasil.
Na lateral direita, Palacios, que teve um percurso discreto pelo Cruzeiro entre 2023 e 2024, é o titular. Do plantel campeão colombiano no meio do ano passado, a maior parte das peças alterou-se. Resta saber até que ponto o técnico conseguirá unir o novo grupo rapidamente. Até ao momento, os resultados são negativos.
Herança áurea e negra
No Uruguai, cada começo de Copa Libertadores é o instante para reacender a “ilusão”, como se diz por aquelas terras. Tanto mais porque o Peñarol, que encerra os representantes do Grupo E e será o terceiro rival alvinegro na fase de grupos, terá no comando Diego Aguirre, que, outrora, guiou o clube aurinegro às margens do Prata a uma final da prova, e foi vencido pelo Santos de Neymar, em 2011.
Aguirre, que também passou por clubes como São Paulo, Internacional, Atlético-MG e Santos, sagrou-se campeão da Libertadores em 1987 como jogador do emblema uruguaio. Naquela altura, o desempate fazia-se com um terceiro jogo decisivo.
Não existe um adepto do Peñarol vivo que não tenha ouvido falar do último minuto do prolongamento, após um 0 a 0 no tempo regulamentar contra o América de Cali. O terceiro jogo dessa série realizou-se em Santiago, no Chile.
Por mais que o sonho esteja ao alcance, e Aguirre, nas suas entrevistas, afirme que conquistar o título uruguaio e avançar de fase são metas reais para a sua equipa, a verdade em campo pode ser um rude despertar para os uruguaios.
O Peñarol será uma combinação de jogadores mais velhos e jovens que sempre emergem das camadas de formação do clube. Contudo, as últimas semanas trouxeram um contratempo algo imprevisto: Aguirre tem de gerir uma série de lesões em elementos chave, como o médio criativo Eduardo Arias e o avançado Abel Hernández, que actuou por Inter e Fluminense, no Brasil. Das 10 partidas disputadas pelo Peñarol este ano no campeonato nacional, Aguirre não repetiu nenhuma escalação.