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Mundial 2026: O Haiti, nação arrasada que vibra com a paixão pelo futebol

Mundial 2026: O Haiti, nação arrasada que vibra com a paixão pelo futebol

Os jovens tomam a rua, utilizando pedras como barreiras. A bola passa de um para o outro: as crianças parecem relaxadas, porém seguem cada movimento com atenção.

A presença do Haiti no Mundial da América do Norte , de 11 de junho a 19 de julho, traz um sopro de otimismo para esta nação pequena com perto de 12 milhões de pessoas.

O país mais pobre do continente americano lida há muito com a agressão das gangues, o que gerou uma emergência humanitária única.

"O futebol traz esperança e carinho. Ele desperta orgulho e animação", declara à AFP Salomé Sandler Tally, criadora e orientadora do clube Aigle Noir AC (ANAC).

"Chegar ao Mundial é algo único para uma terra que adora tanto este desporto. É fantástico termos voltado depois de 52 anos", completa ela.

A única participação anterior em fase final foi em 1974, na antiga Alemanha Ocidental.

"Não fico admirada com esta conquista ao observar o potencial local e o da emigração", em uma sociedade onde 54% dos habitantes têm menos de 25 anos, destaca a orientadora.

A maioria dos atletas, liderados pelo técnico francês Sébastien Migné, joga na Europa ou na América do Norte.

"Rituais ancestrais"

E, mesmo com as dificuldades financeiras, o executivo destinou no começo de abril um montante de 264 milhões de gourdes (1,7 milhões de euros) à equipa nacional, como recompensa pela vaga e para auxiliar os treinos para o torneio, onde o Haiti enfrentará Brasil, Marrocos e Escócia no Grupo C.

No Haiti, o futebol é algo venerado e não requer campos formais. O maior estádio da nação, Sylvio Cator, permanece fechado desde fevereiro de 2024 por estar em uma zona de Porto Príncipe dominada por gangues, assim como 90% da cidade.

Ainda assim, o desporto preferido ocorre em qualquer lugar: sem calçado, com sandálias ou ténis; quer no pavimento, no solo batido ou em tapetes verdes desgastados, em torneios locais, disputas escolares, eventos entre equipas profissionais e de recreio.

Em uma cultura muito devota, os campeonatos de verão funcionam como "espaços de rituais ancestrais que envergonhariam os fãs mais dedicados", conforme Patrice Dumont, ex senador e comentador de desporto.

"Isso acontece em todas as localidades, em qualquer área disponível, do 3 contra 3 ao 11 contra 11, sempre com plateia numerosa".

Evens Lezin, atleta de lazer com 49 anos, assegura que a ida dos haitianos ao Mundial, sem partidas de eliminatória no território, oferecerá "esperança" aos jovens do país.

"É viável progredir, porém com rigor", diz. "Atualmente, muitos rapazes seguem o crime, bebem em excesso, consomem tabaco e carecem de atividades positivas. No entanto, o futebol serve como alternativa".

Lugares de convívio

O futebol surge em todas as discussões, une idades e classes sociais. Em tasquinhas e lojas, em logradouros ou nas frequências radiofónicas, em recintos ou encostados a um 'bout mi' (parede baixa).

"O futebol é talvez um dos raros pontos de encontro que boa parte da juventude ainda alcança. É o assunto principal das conversas", nota Marc Donald Orphée, de 35 anos, que se apresenta como um torcedor convicto.

E embora a maior parte dos elementos da seleção masculina e feminina jogue fora do país, a separação não reduz o afeto dos espectadores.

Pierreline Nazon, com 18 anos, joia da formação sub 20 feminina, assemelha se a Melchie Dumornay, meio campo do Olympique de Lyon francês.