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Esmee Brugts e a meia final contra o Bayern: Podemos ter menos jogadoras mas não temos menos qualidade

Esmee Brugts e a meia final contra o Bayern: Podemos ter menos jogadoras mas não temos menos qualidade

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Já defrontaram o Bayern de Munique esta época na fase de apuramento de campeão. Quais são na sua opinião os principais pontos fortes e fracos da equipa?

É sem dúvida uma das equipas mais fortes da Europa. Elas dominam o Campeonato Alemão o que não é pouca coisa e não perderam nenhum jogo desde a última vez que as enfrentámos o que é realmente impressionante. Claro que o nosso primeiro jogo contra elas foi há algum tempo e o contexto era diferente. No futebol cada jogo é uma nova história. Temos de estar o mais preparadas possível e é por isso que estamos a treinar.

Entre a pausa internacional a Liga dos Campeões e a Liga F o ritmo é frenético. Como é que lidam mentalmente com a mudança de um estilo de jogo para outro?

É diferente mas é o que fazemos todos os dias. Na seleção nacional tudo muda: o plano de jogo o treinador as colegas de equipa. Com o tempo habituamo nos a isso. Aqui no Barcelona o nosso treinador garante que estamos totalmente concentradas nos nossos objectivos. Assim que voltamos ao clube somos 100% Barça e vice versa com a seleção nacional.

Desde a sua chegada ao clube há três épocas o Barça sempre chegou à final da Liga dos Campeões. Qual é a mentalidade especial da equipa nesta competição?

É a competição mais emocionante que existe aquela em que se pode testar a si mesma contra a elite da Europa. Somos conhecidas por estarmos entre os melhores concorrentes o que traz muita pressão mas também é maravilhoso. Quando se vê como a cidade vive estes grandes jogos da Liga dos Campeões percebe se que é a própria essência do futebol feminino. É a nossa prioridade absoluta.

Quando chegou há dois anos e meio esperava viver tantos momentos marcantes em tão pouco tempo?

Não de jeito nenhum. O futebol pode ser louco às vezes triste mas no meu caso no Barcelona estou muito feliz. Estes sucessos dão nos fome. Estou rodeada de jogadoras que nunca estão satisfeitas com o que têm e que querem sempre mais. Aprendo muito com elas.

O Barcelona parece estar novamente intocável esta época. Qual é a principal razão para isso?

Temos jogadoras excepcionais que estão a assumir as suas responsabilidades. Poderia citar muitas delas: Patri Alexia Aitana Irene. Elas mantêm nos sempre concentradas. Sinto me orgulhosa por fazer parte de um grupo assim.

Qual é a sua opinião sobre o novo formato da Liga dos Campeões Feminina?

Para mim não importa o formato gosto de jogar esta competição. Dito isto penso que o novo formato a torna mais competitiva o que é ótimo para os adeptos e muito atrativo de ver. É uma grande evolução.

Que cenário teme para este jogo contra o Bayern?

Vamos para este jogo com o objetivo de ganhar embora saibamos que a pressão é grande. As pessoas podem estar a pensar no resultado do último jogo mas estamos a tentar não prestar atenção a isso. As duas equipas vão ter as suas oportunidades. O meu objetivo é que estejamos tão concentradas como da última vez com a ambição de marcar cedo. Mas o Bayern vai fazer o mesmo. A nossa prioridade é prepararmo nos o melhor possível.

Muitas vezes vemos a Esmee começar como lateral esquerda e acabar a marcar ou a rematar à baliza. Qual é exatamente a sua função?

Tenho várias funções dependendo do plano de jogo. No primeiro jogo contra o Bayern tive a liberdade de jogar mais por dentro quase como uma média. No Barça temos bastante liberdade. Posso jogar na ala ou por dentro tudo depende do que o treinador quer para o jogo.

Como é que lida com a pressão de chegar a mais uma final?

A pressão é um privilégio. Contamos muito com os nossos adeptos para a segunda mão. A pressão faz parte do futebol significa que o que fazemos é importante para as pessoas. Pessoalmente ver as jogadores experientes ao meu redor e ver como elas assumem a liderança acalma me muito.

Qual é a importância de vencer respeitando o ADN do jogo do Barça?

Queremos sempre representar o estilo de jogo do Barça seja no Campeonato Espanhol ou na Liga dos Campeões onde o mundo inteiro está a observar. Essa é a nossa identidade. Só jogamos o nosso melhor futebol quando respeitamos essa filosofia.

Jogar no Spotify Camp Nou com o estádio potencialmente cheio muda alguma coisa para vocês?

É indescritível. Lembro me de enviar mensagens às minhas amigas antes do jogo contra o Real Madrid e fiquei muito emocionada com a ideia de jogar num estádio cheio. Os nossos adeptos apoiam nos sempre e jogar no Camp Nou é uma grande motivação. São noites como essa que fazem com que a gente ame ser jogadora de futebol.

Acha que um nível geral mais alto na Liga F ajudaria a preparar se melhor para esses grandes jogos europeus?

Não dá para saber. O que podemos fazer é jogar o melhor possível os jogos da Liga. O facto de estarmos a ganhar não significa que não seja competitivo; enfrentar blocos baixos é um desafio difícil. O nosso objetivo é sermos perfeitas durante toda a época. Aceitamos a situação atual e seguimos em frente.

O Barça é o grande favorito para este jogo?

Se olharmos para a nossa história recente e para as duas finais consecutivas as pessoas dirão que somos favoritas. Mas dentro do grupo não é assim que falamos. Este jogo contra o Bayern será totalmente diferente do anterior. Tratamos cada jogo como uma final.

Qual é a jogadora do Bayern que mais teme?

Elas são fortes como equipa mas a Pernille Harder é uma verdadeira lenda. A sua experiência e capacidade de marcar golos são uma ameaça constante para nós.

O vosso ataque é particularmente eficaz. Qual é o vosso segredo?

Nunca estamos satisfeitas. Se marcarmos um golo queremos um segundo e depois um terceiro. Temos qualidades individuais excepcionais e é um prazer jogar neste ataque.

Na vitória por 7-1 sobre o Bayern no início da temporada fez um golo e duas assistências. Isso dá lhe mais confiança?

Fiquei muito feliz com esse desempenho mas cada partida é uma novidade. Estou apenas a tentar manter o meu nível de preparação. Tenho a certeza de que o Bayern vai encarar o jogo de forma diferente e nós temos de fazer o mesmo.

Algumas pessoas diziam que o Barça seria mais fraco esta temporada depois de várias saídas. Como responderia a isso?

A única coisa que podemos fazer é provar que estão erradas dentro de campo. O nosso ponto forte é que sabemos ignorar o barulho externo. Podemos ter menos jogadoras mas não temos menos qualidade. Estamos nas meias finais mas ainda não terminámos o trabalho.

Está a fazer a sua melhor temporada até agora com cinco golos marcados no Campeonato Espanhol. Como explica essa evolução?

Quando cheguei com 20 anos tive de me adaptar à vida no estrangeiro. Hoje sinto me em casa o que ajuda muito no meu desempenho. A confiança que recebo do treinador da equipa técnica e das minhas companheiras de equipa é fundamental. Estou a aprender a cada ano e espero manter o ritmo.

Por que razão o primeiro jogo contra o Bayern foi tão bom?

Lembro me de ir ao estádio com a Kika estávamos muito nervosas porque sabíamos da força do Bayern. Entrámos em campo com a mentalidade de dar mais de 100%. O facto de termos marcado cedo deu nos força. O respeito pelo nível delas levou nos à superação.

Qual é a sensação de jogar ao lado de Alexia Putellas na esquerda?

É um privilégio. Ela é uma grande ajuda para as outras jogadoras. Comunicamos muito porque jogamos do mesmo lado. Ela dá me pequenas dicas que me ajudam nos jogos. Ela é a epítome de uma líder. Jogar ao lado dela acalma me e dá me a confiança de que preciso para jogar o meu próprio jogo.

A ausência de Aitana Bonmatí mudou a sua maneira de jogar?

A ausência dela foi um choque para nós. Ela é uma jogadora que está sempre presente nos grandes jogos. Foi triste porque ela quer sempre jogar mas a sucessão de jogos é difícil para o corpo. Deu a oportunidade a algumas das jogadoras mais jovens de brilharem e elas estiveram muito bem. Mas somos mais fortes quando todas estão aqui por isso estou muito contente por ela ter voltado a treinar.

E sobre a jovem Clara Serrajordi que se juntou à equipa?

É impressionante ver uma jogadora tão jovem a jogar com tanta maturidade como se estivesse cá há anos. Ela é muito calma e entende perfeitamente o ADN do Barça. O que ela fez contra o Real Madrid com aquele passe decisivo foi incrível. É muito prometedor para o futuro do clube.